A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 11/09/2021

“O homem é a medida de todas as coisas.” Essa máxima, atribuída ao filósofo grego Protágoras, revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente à representatividade na publicidade, ocorre uma intrínseca identificação do pensador, pois os diversos entraves em torno desse processo vitimizam todo o corpo social. Dessa forma, são inúmeros os desafios dos grupos sociais marginalizados de se sentirem inseridos na sociedade, tendo em vista à falta de representação destes nas publicidades brasileiras.

Em primeira análise, destaca-se o fato do mercado de comunicação exercer uma forte influência nos hábitos e costumes da população com grande poder de manipulação, ditando regras de conduta e de consumo. Nesse contexto, o sociólogo frânces Pierre Bourdieu, em sua teoria do Habitus, ressaltava que a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e posteriormente reproduzidos pelos indivíduos. Essa máxima, encontra-se na realidade dos meios digitais e televisivos, quando se observa o ideal de beleza feminino, -por serem as que mais recebem destaque-, loiras, brancas e magras, quanto homens fortes, altos, com músculos torneados, demostrando o padrão identitário hodierno. Com isso, grupos sociais que não compartilham desses moldes são excluídos, o que reforçam esteriótipos de que eles são inferiores e indiferentes, de modo que a representatividade é obstaculizada e oprimida.

Ademais, o avanço das pautas identitárias são extremamente importantes para a representatividade na publicidade, como em apresentar casais homossexuais nas novelas, pessoas negras serem protagonistas, além de modelos acima do peso, para que pessoas com as mesmas convicções se sintam representadas.  Sob essa ótica, uma pesquisa da Agência Heads, mostrou que, em fevereiro de 2016, apenas 1% das protagonistas de comerciais exibidos na TV eram negras, visto que 56% da população brasileira é negra, segundo dados de 2020. Logo, a publicidade não retrata com eficiência os anseios sociais, muito menos tratam com igualdade todos os públicos, fortalecendo relação com os consumidores da esfera hegemônica dominante.

Portanto, faz-se necessária a realização de medidas que mitiguem o desafio. Assim, cabe à Secretaria Especial de Comunicação Social, o papel de ajudar a resolver a raiz do problema da falta de representação nas publicidades, por meio da quebra de esteriótipos, a partir da igualdade de tratamento entre os diversos públicos na comunicação, com uma intensa fiscalização nas propagandas que ofendam grupos minoritários, para que haja uma mobilização, a fim de transmudar essa realidade.