A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 16/09/2021

De acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “As cidadanias mutiladas”, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. No entanto, a dificuldade que se apresenta na questão de se apresentar a importancia da representatividade na publicidade, prova que não há a democratização aos direitos sociais no mundo contemporaneo. Assim, entre os fatores que contribuem com esse cenário, pode-se destacar o preconceito naturalizado na mente da sociedade, juntamente com o reforço dos estereótipos da beleza.

Em primeira análise, deve-se enfatizar os ideais preconceituosos enraizados na mente coletiva como responsável por aprofundar esse impasse. Nitidamente, pode-se inferir que esse contexto se origina do fato de que desde os primórdios da idade moderna, o eurocentrismo era presente na sociedade como um fenomeno normalizado, em que a ideia da pessoa com pele branca era tida como superior a pardos ou negros, reverberando na sociedade atual e gerando problemas, como a falta de representação dessa parcela da sociedade em propagandas. Esse panorama pode ser comprovado com dados da pesquisa Mulheres (in)visiveis, em que apenas 26% das pessoas retratadas na publicidade são negras ou pardas, enquanto representam 53% da população brasileira, evidenciando a negligencia sofrida.

Ademais, é fundamental apontar o reforço de estereótipos no universo da beleza como impulsionador do problema enfrentado. Explicita-se, dessa maneira, que esse processo ocorre pois os costumes, valores e hábitos, criam inferencias preconcebidas de forma inconsciente nos indivíduos, contribuindo para a formação de ideias como, por exemplo, o corpo magro, alto, loiro e sem marcas de expressão, dessa forma, a maioria da população não se sente retratada como o ideal imposto. Esse contexto pode ser constatado no fato de que 65% das mulheres não se identificam com a maneira como são expressas na publicidade no Brasil, de acordo com a pesquisa Mulheres (in)visíveis.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para solucionar essa questão, é imprescidível que o Governo Federal, em conjunto com o Ministério das Comunicações, criem um Programa Nacional de Incentivo a Representatividade na Publicidade, por intermédio de um projeto de lei a ser votado no Congreso, que oferecerá incentivos fiscais para grandes marcas presentes na mídia, que realizarão a inserção de indivíduos negros, pardos, homossexuais, entre outros, em propagandas, programas televisivos e digitais, assim como realizará palestras, debates e campanhas nas redes sociais sobre a importancia da valorização dos grupos menos representados da sociedade, com a finalidade de formar uma sociedade mais justa, igualitária e sem prejulgamentos,