A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 19/09/2021
Malcolm X, grande ativista dos direitos humanos, a respeito das lutas e manifestações a favor das causas das pessoas pretas, dizia: “não lutamos por integração ou separação. Lutamos para sermos reconhecidos como seres humanos”. Nesse sentido, é de suma relevância analisar a questão da importância da representatividade na publicidade, resultado de uma sociedade que ainda não é alinhada ao pensamento de Malcolm. Com efeito, hão de ser analisadas as causas que corroboram esse grave cenário: uma educação discriminativa e a ineficiencia estatal frente à problemática.
A princípio, Jean Piaget, psicólogo suíço, pontuou que “o principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que outras gerações fizeram”. No entanto, ao perceber que as pessoas, especialmente as de grupos minoritários, são ensinadas direta e indiratemente a quem “pertence” os lugares de destaque, condenando e ludibriando sujeitos que não se encaixam na normatividade a sequer desejar ocupar os espaços de protagonismo na sociedade. A isso, faz-se necessário enfatizar a ideia de Oscar Wilde, poeta e dramaturgo irlandês, a qual apregoa que a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou nação.
Outrossim, o artigo 213 da Constituição federal explicita que é dever do Estado garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e incentivar a valorização e a difusão das manifestações culturais, sem qualquer forma de discriminação. Contudo, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se à medida que pessoas e culturas seletas são isentas do protagonismo em propagandas publicitárias e programas de televisão por exemplo; reforçando e enfatizando mais uma vez a quem pertence tais espaços. À vista disso, a dissonância entre a narrativa factual e a Carta Magna precisa ser solucionada.
Logo, é fundamental que o Ministério da Cultura construa um projeto de lei para ser entregue à Câmara dos Deputados a fim de estabelecer uma cota mínima que visem aumentar a participação de minorias em atividades midiáticas de grandes empresas, inspirada na ideia de Oscar Wilde. Posto isso, é importante que tal ação foque em fortalecer a representatividade dos diversos grupos sociais. Ademais, é imprescindível que as escolas explorem e se dediquem a apresentar a seus alunos personalidades que possuem um forte e positivo impacto na sociedade, os quais possam se inspirar. Dessa forma, resolver-se-ão os problemas associados ao tema e, por fim, alcançar-se-á o anseio do Malcolm X.