A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 19/09/2021
“No meio do caminho tinha uma pedra”. Certamente esse verso do poema homônimo, de Carlos Drummond de Andrade, pode ser associado a uma temática atual, já que, em meio a uma era de grandes avanços no Brasil, a falta de importância dada à representatividade na publicidade funciona como uma “pedra” que dificulta o continuísmo do progresso nacional. Assim, faz-se necessário debater acerca da necessidade de uma globalização mais humana e sobre o benefício do desenvolvimento da alteridade. Convém ressaltar, a princípio, que a integração mundial mais respeitosa está entre as importâncias relacionadas à diversidade nas propagandas, uma vez que há a valorização de diversas culturas. Segundo Milton Santos, geógrafo brasileiro, em seu livro “Por uma outra globalização”, tal processo pode ser entendido como perverso, pois apenas a cultura europeia foi difundida e apreciada, entretanto, o estudioso considera a possibilidade de alcançar-se uma diferente multinacionalização, em que as diferentes culturas seriam respeitadas e estudadas. Nesse sentido, verifica-se que, quando a publicidade é representativa, existe a oportunidade de chegar ao objetivo descrito no livro de Milton Santos, o que seria benéfico à população. Ademais, salienta-se o desenvolvimento do conceito de alteridade como mais um dos benefícios dessa temática, já que, assim, há a consideração de todos os indivíduos do corpo social. Segundo a concepção de alteridade, elaborada pelo sociólogo francês Emmanuel Lèvinas, os seres humanos devem aprender a compreender seus diferentes como pessoas singulares e subjetivas, pertencentes a ricas culturas e etnias, de maneira a aceitar as distinções e honrar os direitos humanos dos cidadãos. Desse modo, percebe-se que a combinação entre comerciais midiáticos e a representabilidade das diferentes culturas e particularidades é o caminho para chegar-se à plenitude da alteridade. Portanto, é necessário medidas para garantir a efetivação da representatividade nas publicidades. Para isso, é dever do Ministério das Comunicações, responsável pelas propagandas governamentais, elaborar campanhas nas várias mídias que exaltem a diversidade humana, por meio da junção de diferentes grupos étnicos, a fim de dar o primeiro passo em direção a uma outra globalização. Além disso, cabe ao Ministério da Educação, encarregado das políticas educativas nacionais, disseminar o conceito de alteridade para a população, por meio de aulas interdisciplinares de sociologia e geografia nas escolas, com o objetivo de gerar uma sociedade mais respeitosa com os seus distintos. Dessa maneira, será possível remover a “pedra” drummondiana e construir um país mais igualitário, justo e coeso.