A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 20/09/2021
O filme “Pantera Negra” é exemplo de representatividade para a população negra, levando em consideração a presença majoritária de personagens negros. No entanto, nota-se que o cenário representativo das minorias no âmbito publicitário ainda é insuficiente. Tal problemática influencia o fomento e a subsistência do preconceito, tendo em vista o caráter persuasivo exercido pelo meio.
Nessa perspectiva, é importante expor o panorama da carência representativa nas publicidades. À vista disso, observa-se que 54% da população brasileira é negra, porém, uma pesquisa realizada pelo “Instituto Locomotiva” mostra que, entre os consumidores negros de determinados produtos, apenas 6% da classe se sente representada nas propagandas. A análise dos dados demonstra um estímulo ao preconceito exercido pela falta de visibilidade imposta às minorias, tendo em conta a identificação do público alvo como principal meio de persuasão da publicidade. Desse modo, é favorecido um quadro social de discriminação.
Por conseguinte, cabe destacar as consequências desse cenário discriminatório. Para exemplificar este fato, observa-se a composição dos participantes de todas as temporadas do programa “Big Brother Brasil”, que somente na edição de 2021 teve o quadro composto por 50% de participantes negros, sendo anteriormente constituido majoritariamente por brancos. Acerca disso, constata-se no meio de comunicação midiática o descumprimento do princípio constitucional de igualdade, previsto no artigo 5º da Constituição Federal. Dessa forma, fere-se o direito de isonomia dos cidadãos em situação de vulnerabilidade social.
Portanto, diante do exposto, nota-se a importância da representatividade das minorias no meio publicitário. Isto posto, infere-se a necessidade de atuação do Poder Legislativo, que deve criar uma lei para assegurar a representação da parcela social discriminada nas publicidades e propagandas. Tal medida deve ser efetivada por meio de uma norma que obrigue a inclusão de pelo menos 50% de indivíduos de diferentes etnias, orientações sexuais e identidades de gênero nos canais veiculados à publicidade. A determinação deverá ser fiscalizada pelo Ministério Público, de modo a empregar uma multa aos grupos publicitários que não se adequem ao que foi estabelecido. Assim, será possível garantir uma ampla representatividade na publicidade.