A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 23/10/2021
No filme felicidade por um fio, Violet, uma mulher preta cresce alisando seu cabelo após ser ensinada por sua mãe que deveria seguir este padrão para ser aceita na sociedade e encontrar o homem perfeito. Fora da ficção não é diferente, visto que, a publicidade não passa representatividade para grande parte da sociedade brasileira. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: Adolescentes que são influenciáveis pela mídia e os estereótipos existentes e mostrados em campanhas.
Em primeira análise, evidencia-se a existência de adolescentes, que ao longo de seus crescimentos, formação de gostos e personalidade sem interferência de seus pais, acompanham campanhas publicitarias para definir seu estilo e aparência. Ao não verem pessoas com traços semelhantes ao seus, como cabelo, vestimenta, tom de pele, etnia ou orientação sexual etc, logo vem a frustração pela ausência de identificação com o que é mostrado. Sob essa ótica, uma pesquisa realizada pela empresa Kantar, indicou que mais de 70% das pessoas não se identificam com anúncios destinados a elas. Dessa forma isso não pode ser algo normalizado de tal forma que não ocorre por falta de informação.
Além disso, é notório que os estereótipos estipulados pela sociedade e mostrados de forma mais gritante em campanhas, são um fator agravante na ausência dessa representatividade. Como por exemplo mostrar mulheres em comerciais de limpezas, homens em anúncios de cervejas, ou até mesmo empresas que preferem se manter calados em temas como igualdade de genêro ou participação de casais lgbts, com objetivo de não desfazer uma imagem de marca séria e familiar. Segundo Pierre Bordieu, “Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão.” Consoante a isso é notório o tamanho da problemática já que, se essas propagandas são criadas para atrair o público, esse público precisa se identificar, e sentir que essas marcas criaram o produto pensando neles.
Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham ampliar a importância da representatividade na publicidade. Dessa maneira, cabe à empresas privadas em parceria com emissoras de televisão, a elaboração e criação de campanhas fiéis a públicos existentes e reais, essas campanhas devem ter como processo criativo pesquisas nas ruas e sites criados para coleta de informações de vários públicos a fim de que o maior número de pessoas se identifiquem cada vez mais com o que veêm. Somente assim a representatividade na publicidade terá seu devido impacto e mulheres como Violet não irão se submeter a pressão ensinada pela sociedade.