A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 23/09/2021
Promulgada em 1988, a Constituição cidadã garante o direito à representatividade para todos os cidadãos. Contudo essa premissa não é respeitada, uma vez que parcela significativa da população é marginalizada dos meios publicitários no Brasil. Isso ocorre seja pelo processo histórico de dominação europeu, seja pela negligência governamental nesse âmbito. Dessa maneira, é imperioso que essa problemática social seja ponderada, a fim de que o governo atue em prol de uma solução.
Em primeiro lugar é notório que o Brasil é um país socialmente heterogêneo, devido à extensão territorial e ao processo histórico de migração e de colonização ocorrido. No entanto, a abolição tardia da escravidão no território nacional aliada à manutenção dos políticos homens de pele clara no poder auxiliaram a criação do estigma relacionado a aparência física de pessoas com características diferentes da classe social dominante no meio político, segundo livro 1889, do escritor brasileiro Laurentino Gomes. Nesse viés, percebe-se a importância da representatividade cultural e fenotípica na publicidade, para que a população se sinta reconhecida, integrada e respeitada na sociedade que foi durante quadro séculos extremamente segregacionista e elitista.
Em segundo lugar, é válido ressaltar a ineficiência das instituições governamentais, pois conforme reportagens veiculadas pelo “Portal G1” no primeiro semestre de 2020, há, majoritariamente, homens brancos nas publicidades governamentais, ao passo que a população brasileira brasileira é predominantemente feminina e parda, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nessa perspectiva, esse quadro de inconsistência da representatividade nacional exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, mas que não cumprem seu papel com eficácia. Desse modo, é imprescindível que, para refutação da teoria do estudioso polonês, esse problema seja solucionado.
Logo, urge ao Congresso Nacional uma medida efetiva para a representação da população brasileira de forma democrática no meio publicitário. Portando, o poder legislativo deve promulgar uma lei a qual defina que a seleção das pessoas representantes de quaisquer publicidade pública deve ser feita por meio de sorteios aleatórios entre candidatos que optarem pela participação. Dessa maneira, as inscrições para a atuação devem ser efetuadas na internet ou nas prefeituras dos municípios, para que todos tenham o acesso. Por fim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, essa problemática tão importante no território nacional e a população será devidamente representada.