A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 04/10/2021

Com o advento da globalização, associada à industrialização, as empresas dirigiram a venda de seus produtos por meio de propagandas massivas. Nesse sentido, elas se direcionaram ao atendimento de grupos majoritários, excluindo, várias vezes, a visibilidade das minorias. Em vista disso, discute-se acerca da importância da representatividade da publicidade e analisam-se como fatores ligados ao pouco registro desse cenário, o preconceito enraizado na sociedade e a inobservância governamental. Dessa forma, tal impasse é inconcebível e merece um olhar crítico de enfrentamento.

Em primeiro plano, o preconceito enraizado é um impasse para a concretização da representatividade publicitária. Nessa lógica, E. Durkheim, filósofo contemporâneo, afirma que o coletivo é capaz de influenciar ações individuais. Partindo desse pressuposto, ações midiáticas atreladas a representatividade são importantes, pois são capazes de direcionar os indivíduos no reconhecimento da diversidade como parte integrante do país. Entretanto, o desenvolver histórico do brasil, marcado pelo preconceito, representa a continuidade de uma tendência propagandística que reflete estereótipos dominantes que não foram superados ao longo da história, de forma que o diferente tem sido evitado. Sob essa ótica, torna-se necessário intervir contra a caracterização histórica retratada.

Além disso, o Estado é inoperante na efetivação do cenário supracitado. Em análise, a representatividade midiática é crucial para expandir a noção de cidadania dos grupos minoritários. Apesar disso, essa extensão ainda exclui alguns grupos que não representam as classes mais abastadas e esbranquiçadas do país, pois o governo não tem criado regulamentos publicitários para que as empresas sejam orientadas à inclusão, de modo que todos possam representar o povo brasileiro. Isso pode ser confirmado por Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de papel”, que afirmou que o Estado, apesar de se basear na Carta Magna para efetivar a inclusão social, muitas vezes não cumpre seu dever. Posto isso, diante da importância da mídia na publicidade, associada a atuação pública, torna-se necessário minimizar a inação governamental.

Em suma, diante da importância da visibilidade realizada por meio da propaganda fica nítida a necessidade de atuação estatal para a efetivação dessa prática. Portanto, o Ministério da Propaganda deve estabelecer diálogos com as empresas, o que deve ser realizado por meio da reserva orçamentária que destinará recursos para a contratação de pessoas responsáveis pela realização dessa medida. A partir disso, os contratados deverão fazer acordos, incluindo concessão de crédito, por exemplo, para aquelas empresas que venham a incluir a representação da diversidade em seus comerciais. Assim, orienta-se no sentido da superação do cenário retratado pelo G1 e da garantia do bem-estar social.