A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 07/10/2021

Em 1516, com a obra Utopia, o filósofo Thomas More obteve notoriedade na literatura mundial da época, ao relatar uma ilha imaginária que se destacava pela ausência de infortúnios, ou seja, um lugar perfeito, harmônico, sem preconceitos. Contudo, fora do parâmetro ficcional, observa-se que, infelizmente, essa obra não se assemelha ao contexto social vigente, no que concerne, por exemplo, à questão da representatividade de alguns grupos nas publicidades. Desse modo, é evidente que fatores como o precário sistema educacional brasileiro, como o posicionamento do Estado diante dessa problemática têm contribuído para esse cenário.

A princípio, nota-se que o modelo educacional brasileiro é conteudista, nesse sentido, mecanizado. Essa forma de ensino, segundo o educador Paulo Freire, estimula apenas a competitividade entre os estudantes. Dessa forma, o conceito de cidadania e participação social deixa a desejar na formação educacional dos jovens brasileiros, os quais, ausente de uma educação que estimule o pensamento crítico, acabam a aceitar imposições de padrões sociais ligados a cor da pele, escolha sexual, entre outros estigmas. Nessa perspectiva, essa mecanização de opiniões gera a marginalização de alguns grupos sociais nas propagandas publicitárias.

Em segundo, o posicionamento do Estado também cumpre papel relevante para a persistência da segregação de alguns grupos nas propagandas, pois, apesar de haver na Constituição Federal de 1988 o direito à liberdade, não existem políticas públicas que incentivem a diversidade na sociedade. Sob esse viés, segundo o site www.b9.com.br, em publicidades femininas, apenas 47% das modelos são negras, ou seja, menos da metade. Esse fato é reflexo da negligência estatal que não enfatiza as diferentes raças brasileiras.

Fica evidente, destarte, a necessidade que indivíduos e instituições públicas cooperem para mitigar com a segregação de alguns indivíduos na publicidade. Para isso, o Ministério da Educação deverá, junto às escolas, desenvolver projetos educacionais nos ensinos médio e infantil, como a semana da diversidade, com estudo de casos e peças teatrais que possam conscientizar os jovens sobre a importância do respeito e aceitação de grupos marginalizados, com intuito de acabar com preceito e estimular a diversidade no país.