A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 08/10/2021

Na série estadunidense “Emily em Paris”, estrelada em 2020 pela Netflix, a protagonista trabalha em uma agência de publicidade na França e propõe concepções modernas sob a óptica da importância da representatividade do popular na publicidade, fortemente feminista, é contrária a percepções discriminatórias e objetificações femininas, problemas latentes na sociedade fictícia. Fora das telas de TV, na conjuntura brasileira, a representatividade na publicidade também é um impasse a ser superado  que gera desconforto no público, visto que reforça preconceitos sociais de imagem, seja sobre corpo, raça ou orientação sexual, pregando um ideal perfeito que gera transtornos mentais associados a isso. Nesse contexto, dois fatores não devem ser negligenciados: a resistência da marca frente a mudança de conceitos e o preconceito as minorias sociais.

Primordialmente, a resistência à mudança impede os indivíduos, envolvidos no mercado publicitário, ampliarem seus horizontes e estabelecerem novos ideais, representando todos os públicos de maneira equitativa. Consoante as ideias difundidas no livro “A República”, do filósofo ateniense Platão, que pressupõe os seres imersos em um mundo ilusório e o processo de se desvincular de tal falsidade universal é doloroso, no qual muitos cedem, escolhendo se manter onde estão por ser mais cômodo. Assim, preferindo se manter na zona de conforto, muito publicitários mantém seus paradigmas pré estabelecidos, sem nunca conhecer a realidade além de suas percepções individuais. Dessa forma, resistem a mudanças de maior representatividade coletiva, por receio de seus novos desafios.

Ademais, o preconceito as minorias sociais é motor para a lacuna de representatividade universal na publicidade. Na novela global “Chocolate com pimenta”, exibida em 2004, seu elenco é majoritariamente branco, magro, hétero,  sendo os negros coadjuvantes, pobres e gordos e homossexuais nem mostrados na trama. Tal fato, reforça esteriótipos raciais, de corpo e gênero, instigando transtornos de imagem, que repercutem na saúde mental dos telespectadores.

Destarte, medidas são necessárias a fim mitigar os fatos supracitados. Nesse contexto, urge que o MInistério das Comunicações proponha as empresas publicitárias uma nova perspectiva sobre as representações sociais, exigindo que retratem todos os grupos de maneira igualitária em seus anúncios. Dessa maneira, as minorias se sentirão representadas e acolhidas, amenizando problemas psíquicos decorrentes da falta dessa representatividade e os envolvidos nessas campanhas se verão forçados a saírem de suas zonas de conforto, proporcionando uma melhoria no tecido profissional, bem como propunha Emily em sua realidade fictícia.