A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 08/10/2021

A Carta Magna brasileira, também chamada de Constituição Cidadã, promulgada em 1988, prevê em seu artigo 5° a igualdade perante a lei, sem distinção de qualquer natureza e inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal prerrogativa não tem se refletido com ênfase na prática quando se observa a importância da representatividade na publicidade, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, a ausência de medidas governamentais e a má influência midiática são as causas principais que têm auxiliado na manutenção da problemática supracitada.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a escassez de medidas governamentais para o combate à falta de visibilidade social na conjuntura publicitária brasileira. Nesse sentido, o filósofo alemão Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. De modo que justifica uma das causas do problema, pois os indivíduos pretos e pardos — excluídos das campanhas de publicidade — se tornam invisíveis frente à sociedade e são privados de seus direitos inerentes de representatividade e igualdade, pois apenas 25% dos protagonistas na TV são negros.

Concomitante a isso, a mídia — meios de comunicação em massa — atua como direcionador de pensamento de grande parte da população. Segundo o pensador frânces contemporâneo Pierre Bourdieu: “Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica”, observa-se que o papel exercido pela mídia, ao realizar a cobertura de episódios de invisibilidade seletiva, refletem essa disfunção. Logo, nota-se que a falta de representatividade nas campanhas publicitárias no Brasil diminui a inclusão de indivíduos pretos e pardos por não representá-los de forma adequada e com frequência em propagandas televisivas e em jornais. Dessa forma, influencia o público através de uma visão distorcida sobre toda a comunidade que constitui o Brasil e oculta a maior característica brasileira: a diversidade.

Portanto, faz-se necessária a universalização do direito de representatividade para toda a população brasileira. Dessa forma, é papel da Secretaria Especial de Comunicação Social, por meio da liberação de verbas destinadas às ações sociais e com o apoio de ONGs especializadas, desenvolver atuações que revertam a má influência midiática como o aumento da participação de grupos de pessoas pretas, pardas e mulheres em propagandas publicitárias evidenciando as diferenças e auxiliando na quebra de esteriótipos raciais e de gênero. Talvez, assim, os mecanismos utilizados para opressão simbólica sejam direcionados e convertidos em intrumentos democráticos como proposto por Pierre Bourdie.