A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 17/10/2021

Manoel de Barros, grande poeta pós-modernista, desenvolveu em sua obra “Teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor ás situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se preciso, portanto, valorizar também a importância da representatividade na publicidade. Nesse sentido, a fim de mitigar os males relativos à negação dessa temática, é importante analisar que a persistência de ideias primitivas e retrógradas acerca das minorias traz como efeito a baixa autoestima das comunidades pouco representadas.

A princípio, é imperioso destacar que a publicidade se configura tanto como um reflexo das ideias de uma sociedade, como um artifício para a manipulação discreta de paradigmas. Malcolm X, grande ativista dos direitos humanos e representante do movimento negro, depõe que: “não lutamos por integração ou separação, lutamos para sermos reconhecidos como seres humanos”. No entanto, resquícios de uma época escravocrata estão presentes nas mídias ao retratarem a pessoa negra sempre em segundo plano, ressoando ainda, no inconsciente social, o pensamento retrógrado de que o lugar social da comunidade negra não é o de protagonismo, mas sim o de sujeição às imposições normativas da grande mídia.

Outrossim, o filme estadunidense Pantera Negra, o qual é composto por artistas de pele negra - inclusive o protagonista -, foi um grande sucesso de bilheteria em 2018 não só pelo rico roteiro, mas principalmente pela emoção imbutida e sensação de pertencimento e de valor dos grupos que se sentiram representados. Perante a isso, os efeitos de tal obra serve como princípio norteador para pensar o protagonismo das minorias sociais - além da população negra. Nesse viés, é mister ressaltar que a Constituição federal explicita que é dever do Estado porcionar um ambiente harmônico a todos. Assim, é essencial que essa temática seja debatida objetivando a integridade e honradez de cada indivíduo.

Destarte, para que a representatividade na publicidade seja verídica na sociedade brasileira, faz-se necessário que o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária incentive as empresas a diversificarem os atores de suas propagandas. Essa ação se concretizará por meio da estipulação de cotas para que grupos minoritários adentrem esses espaços, a fim de fortalecer a representatividade dos devidos grupos. Ademais, é imprescindível que as escolas se dediquem a apresentarar a seus alunos personalidades que possuem forte impacto positivo na sociedade os quais eles possam se inspirar. Dessa forma, alcançar-se-á o anseio do poeta Manoel de Barros.