A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 11/10/2021
Surge, na década de 70, atrelada à ausência de padrões estéticos e marcada pela composição livre, a arte urbana ou street art. Em vista disso, no cenário brasileiro, ela aparece por meio do grafite e do teatro de rua, por exemplo, e representa, sobretudo, o estilo de vida e as manifestações sociais de um povo. Apesar disso, emergem desafios para a sua valorização, sendo a lenta mentalidade social e o pouco incentivo estatal os dois principais. Logo, tal problemática é inconcebível e merece um olhar crítico de enfrentamento.
Em primeiro plano, a lenta mentalidade social corrobora para o cenário destacado. Nessa perspectiva, Pierre Bourdieu, com a Teoria do Habitus, analisou que a sociedade tende a persistir com determinados comportamentos até que medidas educativas sejam tomadas. Nesse viés, infere-se que o corpo social é, em parte, preconceituoso, pois é comum continuidade da aversão às movimentações artísticas que surgiram entre as minorias. Assim como a tentativa de proibição do samba, durante a década de 60, hoje, a implementação da arte urbana é vista de forma preconceituosa, o que é decorrente da insuficiência das ações educativas que visem situar a população na valorização e no reconhecimento da street arte como parte constituinte do país. Então, deve-se atuar contra a lenta mentalidade social.
Além disso, o Estado apresenta-se como um catalizador do problema. Dessa forma, Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão invisível”, analisou que alguns setores da sociedade apresentam-se inobservados pelo poder público. Isso reflete o pouco investimento destinado ao financiamento de artistas que, muitas vezes, dependem dos ganhos obtidos com seus trabalhos. Por consequência, a arte urbana tende a cair em esquecimento quando, por outro lado, auxílios estatais poderiam difundir e protagonizar a representatividade dos movimentos defendidos pelo street arte, o que acarretaria na sua valorização. Dessa forma, torna-se necessário agir contra a inação governamental.
Em suma, devem-se formular mecanismos para superar os desafios em efetivar o reconhecimento da arte urbana. Portanto, o Ministério da Cidadania, representada pelas secretarias municipais, deve promover o contato da população com esse ramo artístico. Essa ação será concretizada por meio da destinação de recursos que financiem a continuidade do trabalho de artistas que, ao serem previamente cadastrados, sejam assistidos pela ação pública a fim de promover o reconhecimento desses. Ademais o mesmo agente supracitado deve reformular as aulas de artes nas escolas, de modo que, por meio de aulas práticas e teóricas, seja possível minimizar o preconceito persistente. Sob essa ótica, objetiva-se atingir a harmonia social ao superar a Teoria do Habitus e o retrato de Dimenstein.