A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 16/10/2021

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil é o segundo país mais desigual do mundo. Isso, porém, parece não se restringir apenas à má distribuição de renda e qualidade de vida limitada, mas sobretudo à falta de representatividade de grupos na publicidade — um problema alarmante responsável por uma visão intolerante e preconceituosa instaurada no território. Assim, é possível afirmar que não só o modelo pessoal exigido pelas matérias publicitárias, mas também a falta de atuação governamental para contornar os impasses fomentam o panorama contemporâneo do século XXI.

Inicialmente, é necessário dizer que um padrão estético foi difundido por parte da sociedade brasileira, o qual assume um caráter até mesmo eugênico. Por exemplo, na medicina atual, há uma intervenção cirúrgica denominada “correção de nariz negroide”, o que implicita um erro ao se nascer negro devido a fisionomia fenotípica. A partir desse ponto de vista, quando uma característica individual da população negra é retratada como um defeito, é difícil imaginá-la aparente nos conteúdos de publicade — afinal, um nariz fino e uma pele branca se tornaram quesito para relevância publicitária.

Ademais, outro tópico importante tange à questão da inadimplência estatal para com os tópicos da discrepância social não só nos meios de comunicação, mas na estrutura do país. Por exemplo, conforme o último Censo de 2010, as mulheres ganhavam e participavam menos do mercado de trabalho, apesar de serem maioria. A priori, se a desigualdade social de gênero  está enraizada na realidade do país, tampouco é de se esperar uma situação diferente nas campanhas e propagandas da modernidade.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com as instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias que discorram acerca da importância da diversidade brasileira, com exemplos práticos da literatura modernista, a qual realçava a riqueza cultural no país. Além disso, cabe também ao Governo Federal superar a desigualdade de gênero por meio de uma legislação que conceda privilégios fiscais às empresas que possuem uma homogênea distribuição de cargos entre homens e mulheres. Espera-se, com tudo isso, uma maior representação de grupos diferentes na publicidade somado a uma atenuação das diferenças sociais no país. Afinal, cor e gênero não são premissas para qualquer tipo de segregação, muito menos correções.