A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 20/10/2021

A Abolição da Escravatura aconteceu no Brasil em 1822, não por questões éticas, mas por pressão econômica de outros países, visando mão de obra assalariada, além disso, é importante frizar que essa população recém liberta, não recebeu nenhum amparo social. Assim, apesar da Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito a igualdade como inerente a todo cidadão, a representatividade pública de pessoas não-brancas, não tem se reverberado com ênfase na prática.

Nesse contexto, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater esse tipo de desigualdade. Assim, todas as pessoas devem se sentir representadas, principalmente em meios tão importantes como em propagandas publicitárias, aonde crianças e jovens estão suscetíveis, procurando representação. Essa conjuntura, segundo John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a igualdade, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a influência negativa que a mídia pode exercer sobre o indivíduo, como impulsionador desse problema no Brasil. A influência midiática vai muito além dos meios de comunicação, ela é capaz de impulsionar pensamentos preconceituosos e racistas, quando, por exemplo, em novelas o personagem que é bandido, é representado por uma pessoa negra, além dos papeis de faxineira - esse cenário foi muito presente em novelas transmitidas em horário nobre. Essa ideia se alinha a um conceito de Bordieu, no qual a Violência Simbólica, se encaixa nesse contexto, e é definida como, a opressão moral ou psicológica sofrida por um grupo, isto é, uma violência velada, não necessariamente física. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, é imprescindível se sentir reproduzido em todos os âmbitos da sociedade. Nesse âmbito, cabe a Conar, promover uma maior representação de pessoas não-brancas nos meios de comunicação, por meio da inclusão dessas em todos os âmbitos, sejam eles, papeis de protagonistas ou em papeis importantes, como na apresentação de jornais, ou afins – como a Maju Coutinho, apresentadora do Fantástico, mulher negra fonte de inspiração para muitos. Essa participação deve ser justa, e será efetivada garantindo uma participação com 50% de pessoas afrodescendentes em seleções, pois é evidente, em dados do IGBE, de 2019, que a maioria da população do Brasil é mestiça. O proposito é garantir uma sociedade mais justa, aonde todos se sintam empoderados, pois é inaceitável que apenas algumas pessoas se sintam representadas. Esse é apenas o primeiro passo para garantir igualdade, pois como diz Maquiavel, uma mudança sempre deixa o caminho aberto para outras.