A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 22/10/2021

O romance filosófico “Utopia”, do escritor inglês Thomas Morus, remete a uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas sociais. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade no tocante à representatividade na publicidade, que exclui em maioria negros, membros da comunidade LGBTQIA+ e outras minorias, que muitas vezes são marginalizados pela sociedade em razão do preconceito que esta carrega. Esse panorama lamentável ocorre não só em razão da falta de ações por parte do Governo Federal, principalmente no que tange à educação, mas também pela ignorância e falta de ética social. Desse modo torna-se fundamental uma análise dessa conjuntura para reverter esta realidade.

Em primeira análise, é válido mencionar a carência de investimentos em educação proveniente da ineficácia do poder público no que concerne à criação de mecanismos para combater as propagandas exclusivas e marcadas por esteriótipos exacerbados. Consoante o filósofo John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos associados e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento do contrato social no Brasil, uma vez que, devido à ausência de medidas adotadas pelas autoridades públicas, fica evidente a ineficácia da administração governamental para a solução de tal problemática. Além disso, uma carência de ética profissional e social apresenta-se como outro desafio nesta situação, somada também à falta de iniciativas privadas a fim de promover uma mídia mais inclusiva.

Outrossim, sob a perspectiva do advogado Derek Bok, os que creem que a educação é cara deveriam experimentar viver em uma sociedade ignorante. Tal conceito abordado no Brasil, haja visto a falta de ética em seu modo mais literal, prejudica a integridade da engrenagem social, corrompendo-a por gerações. Dessa maneira, os esteriótipos excludentes formados pela Mídia devem ser combatidos com seriedade e uma educação de qualidade deve ser promovida ao povo brasileiro para que este não perpetue a problemática em questão.

Diante dos fatos supracitados, é imprescindível que medidas sejam adotadas para mitigar esta problemática. Portanto, é dever do Governo Federal, com o apoio do Ministério da Educação e da Mídia, por meio do uso de verbas governamentais, promover campanhas nas redes sociais e palestras em escolas e universidades que abordem a problemática de modo a enfatizar a necessidade de inclusão nas publicidades e a importância que esta representatividade possui para a quebra de preconceitos. Soma-se a isso a possibilidade de incentivo a iniciativas privadas na busca por uma representatividade mais abrangente. Assim, construir-se-á um Brasil mais representativo e inclusivo a todos.