A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 21/10/2021
Atualmente, comenta-se frequentemente sobre a insuficiente representatividade de minorias em publicidades, livros e filmes, meios pelos quais a população recebe influência de comportamentos, atitudes e valores. O Brasil, país com, infelizmente, maioria da população machista e racista, entrou em processo de mudança em relação a esse tópico. Entretanto, a própria indústria cultural padronizada e a posição conservadora do país impede tal mudança de ser eficiente.
Primeiramente, é necessário compreender que a questão racial brasileira é estrutural, trazida desde a invasão dos colonos no território nacional. Durante séculos, o negro foi visto como inferior – tanto em questões intelectuais quanto em questões estéticas –, utilizado na indústria cultural apenas para finalidades infelizes e de zombaria, como foi o que ocorreu com o “black face”, em que homens brancos se pintavam com tinta preta para representar negros. Até os dias atuais ocorre, mesmo que em menor frequência, movimentos racistas como esse para evitar a presença de negros em indústrias e agências.
Ademais, a causa feminista é igualmente afetada devido ao conservadorismo nacional. Ambos os movimentos lutam em busca de igualdade lado a lado, como é representado no livro “Mulheres, raça e classe”, da militante Angela Davis, onde a luta pelo direito de sufrágio e liberdade para os dois grupos é apresentada. Por anos sendo retratadas como donas de casa e tendo seus posicionamentos calados por seus maridos, os “cabeças do lar”, em filmes e novelas, hoje, graças à luta feminista, tal representação não é mais aceita, inspirando mulheres a lutarem por si só.
Portanto, tendo em vista que as mídias sociais e publicidades têm massivo alcance, a dissipação de ideias que representam e acolhem minorias em rede nacional é inovador e inspirador, tanto para as novas quanto para as velhas gerações que receberão tal influência. Cabe ao Ministério do Trabalho e ao Ministério da Cultura a inserção de leis e códigos trabalhistas que encorajem e fiscalizem a contratação e inserção de trabalhadores negros e de mulheres na indústria cultural e no mercado de trabalho, assim como a garantia de salários e benefícios igualitários a todos. Dessa forma, a diversidade será plantada, derrubando o conservadorismo e os preconceitos.