A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 01/11/2021
Nos quadrinhos “Turma da Mônica”, o escritor Maurício de Souza criou personagens diversos, com deficiência, afrodescendência e raízes indígenas. No entanto, esse cenário composto por múltiplas personalidades não é uma situação frequente nas publicidade brasileira e ocasiona em problemas. Afinal, a representatividade é importante para a imaginação das crianças e para combater o preconceito contra minorias.
Antes de tudo, vale ressaltar que a representação midiática influencia diretamente o imaginário infantil. Segundo a apresentadora do Jornal Hoje, Maria Júlia Coutinho, em sua entrevista para a revista “Raça”, frequentemente diversas crianças negras mandam mensagens e dizem que, assim como ela, também serão jornalistas. Nota-se, a partir dessa exemplificação, que o público infantil facilmente se imagina no lugar de pessoas com quem se parecem fisicamente, uma vez que o sistema cognitivo em desenvolvimento garante que o hipocampo - parte do cérebro responsável pela imaginação - funcione intensamente. Desse modo, é essencial que haja diversidade fenotípica nas mídias, para que as infantes não se sintam excluídas ou tenham sua criatividade limitada.
Ademais, além do impacto nas crianças, a representabilidade é fundamental para romper estereótipos criados contra certos grupos excluídos da sociedade. Consoante ao filósofo francês, Pierre Bourdieu, o “habitus” é um sistema de repertórios de modo de pensar que são herdados e reforçados socialmente. Observa-se, então, que ideias preconceituosas, que são parte do “habitus” brasileiro, como a inferioridade intelectual dos negros, incapacidade dos deficientes e fragilidade das mulheres, conseguiriam ser rompidas com ações publicitárias. Afinal, ao inserir nas propagandas cientistas negros, estudantes cadeirantes e boxeadoras, por exemplo, muitos ideais esterotipados deixariam de ser corroborados e uma nova visão sobre esses indivíduos seria criada.
Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para a maior representatividade de diversos grupos na publicidade. Logo, é fundamental que o Ministério da Comunicação - órgão responsável por políticas telemidiáticas - crie um projeto de lei, a ser entregue à Câmara dos Deputados, que obriguem que 50% do elenco de propagandas e novelas, por exemplo, sejam composto pelas minorias sociais supracitadas a fim de representar diversas expressões fenotípicas. Dessa forma, aos poucos, histórias como a criada por Maurício de Souza seriam recorrentes e mais crianças conseguiriam ter seu imaginário alimentado e estereótipos seriam rompidos.