A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 07/11/2021

O caráter etnocêntrico europeu característico da colonização do Brasil construiu uma sociedade com pouca ciência de suas reais características identitárias. Por esse motivo, ainda encontram-se enraizados na população ideiais estéticos não condizentes com a realidade racial da maioria dos brasileiros, conhecidos por sua intensa miscigenação. Tal fato pode ser comprovado nas campanhas publicitárias, as quais, por muito tempo, insistiram no padrão de beleza caucasiano - representado por uma pequena parcela dos consumidores. Dessa maneira, é fundamental que as empresas reconheçam a devida importância da representatividade em suas campanhas, bem como é indubtável a percepção  do indivíduo quanto as  suas características diversas.

Em primeiro lugar, é importante salientar que a segregação de negros, pessoas portadoras de deficiências ou de qualquer característica considerada fora da “perfeição” foi uma realidade característica do movimento de Eugenia no Brasil do século XX, no qual médicos, engenheiros e outros profissionais buscavam a “nação do futuro”, a qual teria em sua totalidade características europeias. Apesar de tais termos não serem citados na atualidade, é possível comprovar o seu enraizamento na sociedade brasileira por meio da publicidade e sua disseminação do padrão de beleza branco de olhos azuis, ignorando a diversidade da miscigenação predominante do seu povo que, por serem a maioria dos consumidores em massa, deveriam ter sua representatividade garantida.

Em segundo lugar, é inegável que a representatividade é fundamental para a publicidade; segundo pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva, quase 80% do brasileiros não se sentem representados nas campanhas, o que diminui a empatia do consumidor com a marca. Ilustrando tal fato, se uma marca de shampoo só possui modelos de cabelos lisos, qual o sentido da compra de tal produto por pessoas de cabelos crespos? O mesmo acontece com marcas de roupas e cosméticos em geral que ignoram as característica da maioria de seu público. Dessa maneira, quanto maior for a necessidade por parte do consumidor em enxergar suas características nos produtos, maior será o boicote das marcas que seguem antigos padrões estéticos.

Logo, tendo em vista o repúdio da segregação dos corpos no meio publicitário, é importante o boicote por parte dos consumidores de marcas que não busquem a representatividade em suas campanhas-que podem contribuir para o preconceito e o reforço de padrões estéticos na sociedade- esse boiocote pode ser feito tanto pelo não consumo de produtos, bem como por manifesações nas redes socias das marcas.Para que, dessa forma, os padrões antiquados de beleza fiquem no século XX.