A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 19/11/2021

.O filme “Divergente”, retrata a formação de grupos sociais por um teste vocacional que determina a inclusão de um indivíduo na sociedade. A narrativa revela a falta de representatividade, por intermédio da minoria que não se encaixa na corporação, uma vez que como autoridades queriam manter seu “status”, deixando de lado quem não era reconhecido como altruísta ao corpo social e caracterizando grupos excluídos como ameaça à publicidade garantida pelo Governo, o que gerou revolta de tais minorias. Fora da ficção, o cenário retratado pode ser relacionado ao quadro atual brasileiro: a representatividade na publicidade evita rebeliões que são causadas pela ignorância governamental e pela padronização do perfeito que as propagandas, priorizadas nas mídias sociais, evidenciam.

O fato é que as mulheres brasileiras não são majoritariamente brancas, olhos claros e cabelos lisos. Esse padrão não dialoga com a realidade do país, considerado um dos mais miscigenados do mundo, assim, fazendo com que muitas mulheres não se identificassem com esses conteúdos e se fortalecem ao ponto do debatedor calorosamente sobre o assunto. O caso das mulheres é apenas um recorte, existem vários outros padrões que ainda precisam ser desconstruídos na publicidade. Os negros até muito pouco tempo atrás costumavam ser representados apenas em hipóteses que os estereotipavam, como empregados domésticos enquanto as donas de casa das propagandas de sabão em pó eram brancas, seguranças e motoristas enquanto médicos eram apenas brancos, e por aí vai. O debate sobre o racismo no Brasil é uma constante,

Atualmente bate-se muito na tecla da diversidade, abrangendo todas as questões de identidade de gênero, partindo principalmente da comunidade LGBT que não se sente representada. Em passos pequenos, já é possível ver esforços de algumas marcas, em sua maioria globais, para inserir em suas peças casais de todos os tipos, ajudando assim a desconstruir os padrões de família ideal ainda muito enraizados na nossa sociedade. As criações quase sempre vêm dos países desenvolvidos e acabam despertando o interesse em abraçar a diversidade também por aqui, o que é bem-vindo. Diferentes tons de pele e tipos de cabelo, roupas sem gênero, modelos plus size e muitas outras estratégias estão surgindo aos poucos na publicidade brasileira, de forma que qualquer deslize de uma marca ao abusar de estereótipos e padrões gera buzz negativo. Vale ressaltar que não está tudo resolvido, a publicidade não se tornou democrática, tampouco traz como premissa básica a representatividade.Não se tornou democrática, tampouco traz como premissa básica a O que aconteceu é que as marcas perceberam esse movimento e resolveram repensar suas estratégias, porém esse processo é lento e está longe de ser a solução.