A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 19/11/2021

O filósofo grego Aristóteles afirmava que as peças teatrais, muito comuns na Antiguidade, eram capazes de provocar no espectador a “catarse”, isto é, o indivíduo se identificava com algum personagem seja pela sua aparência ou pelo modo de agir. De fato, imagens que circulam em peças, filmes e propagandas têm a capacidade de promover a identificação do indivíduo com algum personagem ou situação. Diante disso, a representatividade na publicidade mostra-se de suma importância, haja vista que na sociedade existem pessoas singulares, com características distintas e todas devem ser representadas. Entretanto, no Brasil, a representatividade não está presente de maneira satisfatória, devido ao legado histórico de preconceito para com o “diferente” e à negligência estatal.

Em uma primeira análise, deve-se enfatizar que o Brasil historicamente isolou e suprimiu as camadas menos expressas e expressas da sociedade, como a comunidade LGBTQ +, os negros, as mulheres e os deficientes. Sob esse preconceito, vale ressaltar que, após a abolição da escravidão em 1888, as políticas públicas não incluíram o negro no meio social, portanto, mesmo depois de 133 anos, o negro ainda sofria de racismo no país. O mesmo vale para homofobia, machismo e capacitância. Nessa lógica, a continuação desses preconceitos é evidente na publicidade, pois os personagens retratados na campanha publicitária são, em sua maioria, cis, brancos, heterossexuais e sem deficiência

Além disso, é importante destacar que o governo também confirmou a falta de representatividade na publicidade. Nesse sentido, em 2020, a deputada estadual Marta Costa do PSD elaborou o Projeto de Lei nº 504/20, que visa proibir a veiculação de anúncios diversificados por gênero, alegando que a existência de pessoas LGBTQ + trará sofrimento emocional a inúmeras pessoas. família. Percebe-se, portanto, que o governo não formulou políticas públicas voltadas para o aumento da representatividade, mas negligenciou os cidadãos, pelo contrário, trabalhou para reduzi-la.

Portanto, fica claro que intervenções são necessárias para controlar esse problema. Nesse sentido, o governo tem a responsabilidade de pressionar as empresas, por meio do Ministério das Comunicações, a aprovar uma lei que obrigue as marcas a colocar atores com deficiência, cor de pele, gênero e orientação sexual diferenciada em anúncios - como o anúncio do Dia dos Pais de 2020 da Natura, O anúncio coloca o homem trans no papel de pai. Esta medida visa aumentar o número de pessoas que se veem nos anúncios, permitindo assim que mais pessoas vivam a “catarse”.