A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 07/12/2021

Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos todas as pessoas têm o direito de serem livres, tratadas com dignidade e terem direitos iguais independentemente da sua etnia, cultura, orientação sexual, religião e qualquer outra condição. De maneira análoga a isso, é indubitável que os Direitos Humanos não são seguidos fielmente, logo que a representatividade na publicidade ainda não é vista como um fator social importante. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: a visão arcaica e etnocentrista do protagonismo branco e a negação da parcela da população desfavorecida em aceitar as suas origens e não o que lhe é imposto.

Em primeira análise, evidência-se o privilégio branco mesmo no tempo hodierno, explícita na exclusão de outras etnias dos meios de propaganda, expondo apenas uma “padronização” europeia. Sob essa óptica, o IBGE aponta que 55,8% da população brasileira são considerados pretos e pardos, no entanto a publicidade ainda é composta por 78% de pessoas brancas. Dessa forma, é perceptível que a soberania europeia prevalece ainda no século XXI, sendo assim é um obstáculo a ser superado para que outras culturas tenham sua visibilidade e representatividade nas mídias.

Além disso, é notório que essa falta de representação passa uma ideia de que o que é aceitável é apenas o visibilizado, assim, indivíduos de outras culturas e etnias tendem a alterar a sua origem em prol de uma questão social que não os inclui. Desse modo, o filme “Felicidade por um fio” conta a história de Violet Jones, uma mulher negra que passou a vida inteira alisando seu cabelo crespo pela influência das propagandas midiáticas de produtos de cabelo, estes que só atendiam a cabelos lisos. Consoante a isso, é evidente que as mídias de publicidade são as principais percursoras de ideologias de “beleza” e a representatividade de outros modelos fora dessa “padronização” é imprescindível.                 Depreende-se, portanto, a adoção de medidas que venham ampliar a representação na publicidade. Dessa maneira, cabe à Secretária Especial de Comunicação Social (Secom)— responsável pela liberação de verbas e gerenciamento de contratos publicitários — intervir para uma maior visibilidade de outras culturas, por meio da contratação de mais modelos negros a fim de que a propaganda seja uma forma de incluir e não reprimir. Somente assim, menos situações como a de Violet Jones irão acontecer.