A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 31/01/2022
Livre para poder sorrir
De acordo com pesquisa publicada no ano de 2018 pela agência Heads, em parceria com a ONU Mulheres, a atual publicidade no Brasil não retrata a sua real diversidade de raças em relação ao protagonismo apresentado pelas campanhas. Ainda que, segundo os dados do IBGE (2021), 54% da população brasileira se autodeclare preta ou parda. Assim, verifica-se a necessidade desta inclusão a fim de que todas as populações se sintam representadas. Além disso, a inclusão pode ainda promover benefícios para as empresas anunciantes na medida em que estas podem estabelecer conexões mais relevantes e profundas com todos os seus consumidores.
Exemplificando os dados apresentados pelo IBGE, a cada grupo formado por dez pessoas, ao menos cinco pessoas deveriam ser pretas ou pardas. Considerando que ao longo da vida, nós indivíduos pertencemos a diversos grupos, cabe a reflexão estatística. Em paralelo, as campanhas publicitárias nos acompanham desde a primeira infância, seja por meio dos canais televisivos, dos anúncios nas revistas ou dos painéis publicitárias (outdoors), exercendo forte influência sobre nós indivíduos. Pois, conforme os dados apresentados pela pesquisa da agência Heads, o público (nós) recebemos em média cinco mil mensagens publicitária por dia e embora não memorizemos todas, os conteúdos e as informações transmitidos impactam a forma como enxergamos e entendemos o mundo. Assim, se todas as raças não forem representadas, a maioria da população não se sentirá incluída.
Ainda, se a maioria da população não se sentir incluída com as campanhas apresentadas, podem ainda haver prejuízos para as empresas pois não haverá alcance de toda população por ausência de conexão. Além disso, cabe avaliar se as empresas publicitárias detêm em seu quadro de funcionários autodeclarados pretos e pardos, pois a presença dos mesmos contribuirá para a evolução no pensamento das marcas em relação a esta questão. Como também, em harmonia com os dados recentes apresentados pela consultoria McKinsey & Company, a prática da inclusão no ambiente de trabalho, eleva a criatividade, melhora a comunicação com o cliente que também é diverso, melhora a produtividade e o clima organizacional pois favorece um ambiente de respeito e acolhimento.
Embora a pesquisa demonstre que ainda estamos distantes de um ideal de equidade na publicidade, existem oportunidades para as empresas, os governos e a sociedade. As empresas devem promover políticas que assegurem a diversidade em suas campanhas, além de contar com talentos de todas as raças. Aos governos, cabe a criação de políticas midiáticas inclusivas e a população, cobrar e acompanhar esta evolução rumo a um mundo socialmente igual, humanamente diferente e livre.