A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 11/02/2022
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelo falta de representatividade na publicidade é, amiuda-mente, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a omissão da sociedade.
Nesse contexto, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a pouca representatividade de grupos minoritários na publicidade. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descreve como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, mudanças nesse cenário são inviabilizadas, já que o governo não pressiona os responsáveis para fazer essa importante inclusão.
Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso polonês e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Ademais, é igualmente preciso apontar o desleixo da sociedade como outro fator que contribui para a manutenção do imbróglio. Posto isso, a filósofa alemã Hannah Arendt, em seu conceito da “banalidade do mal”, reflete sobre o processo de massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados a problemas que atingem grupos desprivilegiados. Diante de tal exposto, nota-se que a falta de cobrança por parte da população nesse aspecto, lamentavelmente, contribui para a persistência dessa problemática.
Cabe ao Ministério das Comunicações, portanto, promover, por meio das mídias - instumentos formadores de opiniões - campanhas que conscientizem a população acerca do óbice, a fim de que os cidadãos passem a exigir que as publicidades agreguem todos os diferentes grupos. Espera-se, assim, que os sofrimentos retratados por Munch, delimitem-se apenas ao plano artistíco.