A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 09/03/2022

“Anauê! A Intentona Integralista precisa de você!”. Tal slogan retratado indica, não somente o uso da propagandização como ferramenta na legitimação de discursos facistas no Brasil, mas também expõe o papel dos meios de comunicação no inconsciente coletivo, que, nessa situação, gera a identificação do homem branco. Em paralelo, a publicidade continua reverberando arquétipos e consolidando a falta de diversidade em suas estéticas, tão importante para a sensação de pertencimento do indivíduo socioculturalmente marginalizado na sociedade.

Em primeiro lugar, é míster salientar o poder da mídia na construção do ser social. Na obra “A Indústria Cultural”, os filósofos frankfurtianos Adorno e Horkheimer, discutem a mercantilização das relações de consumo, baseadas no estereótipo do mercado consumidor, este que por muito tempo foi caracterizado pela elite burguesa latifundiária, fazendo com que a publicidade seja voltada a esse público. Dessa forma, com as transformações financeiras na vida moderna e o poder de compra se expandindo, torna-se imprescíndivel sua representação na vasta diversidade brasileira.

Mormente, os veículos sociais - como a internet- mostram-se cada vez mais abertos a discussões desse óbice, ao passo que a velha mídia aproxima-se exponencialmente ao declíneo. Segundo o geógrafo Itamar Vieira Júnior, no best-seller ‘‘Torto Arado’’, o Brasil tem suas raízes no derramamento de sangue dos indígenas e escravizados, mas paradoxalmente esses e outros grupos culturais são subvalorizados em redes de grande alçance. Sendo assim, é necessário reafirmar o pertencimento desses povos na construção da sociedade.

Depreende-se, portanto, medidas que combatem essa problemática. Para tanto, o Ministério da Educação e Cultura poderia promover palestras sobre a formação do senso crítico na vida em so, reforçando a importância da representatividade nas grandes mídias como forma de ascenção social. Além disso, o governo federal, com uso de incentivos fiscais, poderia diminuir as cargas tributárias de empresas multi-étnicas, promulgando a necessidade da diversidade. Só assim, o Brasil e suas várias facetas poderão ter suas vozes ouvidas.