A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 12/03/2022
O sociólogo Herbert Spencer, em sua teoria do Darwinismo Social, exemplificou como indivíduos mais adaptados socialmente tendem a conquistar e permanecer em posições de poder na teia social. Nesse sentido, depreende-se uma carência de diversidade no contexto da publicidade brasileira, em consequência de uma representação hegemônica de grupos dominantes. Assim, faz-se necessário refletir acerca da imposição de um padrão estético na mídia e o descaso governamental frente à problemática.
Nesse panorama, é cabível analisar a falta de indivíduos que configurem um desvio das normas estéticas nas redes televisivas. Sob essa perspectiva, a escritora nigeriana Chimamanda Adichie, adverte acerca dos perigos da rotulação baseada em características físicas, levando a criação de histórias únicas que não representam a realidade. Desse modo, é notável como essa hipervalorização de uma estética padronizada é maléfica para a sociedade.
Outrossim, observa-se a ausência de políticas públicas de inclusão dessas minorias na publicidade. Tal conjuntura contraria o príncipio do “Espaço Público”, da filósofa Hannah Arendt, que defende a total inclusão dos oprimidos no meio social - no caso, aqueles que não se enxergam nas mídias. Dessa maneira, infere-se que é responsabilidade do Estado uma atuação mais ativa frente as mídias sociais, a fim de contornar a situação.
Portanto, torna-se evidente a necessidade de medidas para apaziguar a problemática. De início, cabe ao Poder Legislativo, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Informações e Comunicações(MCTIC), por meio da elaboração de leis, promover a criação de cotas de representatividade em produções destinadas as redes midiáticas, com o objetivo de aumentar a diversidade na área publicitária. Com efeito, espera-se cumprir o princípio do “Espaço Público”, de Hannah Arendt.