A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 31/03/2022
O artigo 5° da Constituição Federal Brasileira de 1988 garante igualdade de direito a todos os cidadãos. No entanto, na prática, tal proteção não é assegurada adequadamente, tendo em vista que a representatividade na publicidade acontece de forma desigual no Brasil. Dessa maneira, o preconceito e os padrões estéticos tidos como hegemônicos constituem as duas principais causas dessa problemática.
A princípio, vale ressaltar que a falta de representatividade publicitária é uma consequência das diversas discriminações existentes na sociedade. Nesse sentido, a série “Anne And An E” conta a história de uma garota órfã, mas também outras narrativas de cunho social, como a de Bash, um jovem negro que enfrenta inúmeras situações de racismo ao longo de sua vida. Analogamente à série, múltiplas marcas optam por não representarem de forma real a pluralidade existente no corpo social e corroboram para que o processo da quebra de estereótipos relacionados à cor e gênero seja ainda mais lento. Logo, a tolerância e o respeito tornam-se inalcançáveis.
Ademais, cabe apontar que os moldes estéticos impulsionam a deficiência de propagandas inclusivas. Nessa lógica, o livro “A ditadura da beleza”, do autor Augusto Cury, retrata o cotidiano de mulheres que sofrem diariamente por tentarem pertencer a padrões humanamente intangíveis impostos pelas mídias. Nesse panorama, além do indivíduo não conseguir identificar-se nas propagandas, ele é motivado a mudar para encaixar-se em um modelo supostamente mais aceito socialmente. Dessa forma, a carência de representação nas publicidades pode causar no cidadão danos irreversíveis.
Portanto, faz-se imprescindível que medidas sejam tomadas para reverter esse cenário. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação inserir debates acerca dos numerosos casos de preconceitos presentes na sociedade, por meio de alterações na Base Curricular Comum, as quais afetarão as disciplinas de filosofia, história e sociologia, de modo a formar cidadãos mais tolerantes e desejosos por uma comunidade pluralizada. Além disso, compete às marcas, em suas propagandas publicitárias, representarem factualmente a multiplicidade de pessoas. Assim sendo, o direito previsto na Magna Carta será proporcionado a todos os brasileiros.