A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 07/04/2022
A Constituição Federal de 1988 determina que todos os brasileiros são iguais perante a lei, o que em tese afirma os direitos sem distinção. Entretanto, a máxima constitucional não é realidade, visto que há uma desigualdade na representatividade publicitária. Essa problemática evidencia que a lei não é garantida no âmbito das comunicações e isso ocorre devido à homogeneização dos interesses e aos costumes sociais excludentes.
Primeiramente, é importante destacar que a homogeneização dos interesses públicos ocasiona a diminuição da diversidade publicitária. A respeito disso, os estudiosos Adorno e Hokheimer, na tese da “indústria cultural”, afirmam que os meios de comunicação são usados para difundir mercadorias e personalidades padronizadas, sem o real valor da produção artística. Nessa perspectiva, é notório que o Brasil também encontra-se refém de uma indústria cultural a qual sufoca a diversidade, logo, a representação de minorias sociais em detrimento dos padrões mercadológicos internacionais. Essa situação é percebida nos anúncios publicitários de empresas no Instagram, as quais preferem pessoas de traços europeus, como indivíduos de pele branca e olhos claros.
Ademais, é necessário pontuar que os costumes excludentes do tecido social corroboram para o status quo. Sobre isso, o sociólogo Emille Durkheim, em sua tese “fato social”, analisa que a ética dos grupos é validada somente quando em concordância com a crença popular e conservadora. Nesse sentido, percebe-se que o brasileiro apesar de um povo miscigenado, ainda não é familiarizado com a diversidade nas campanhas publicitárias e possui uma aversão inconsciente aos grupos minoritários, como os homossexuais .
Diante dos fatos supracitados, é preciso que medidas interventivas sejam adotadas. Portanto, é necessário que o Governo Federal destine verbas ao ministérios responsáveis pela comunicação e cidadania, por meio de decretos presidenciais, a fim de que os órgãos competentes sejam beneficiados pelo investimento público na pauta da diversificação publicitária. Essa medida diminuiria o monopólio das publicidades pela elite e difundiria a imagem do diferente como algo bom. Assim, o Brasil, de fato, terá todos iguais perante a lei.