A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 25/04/2022
A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 5º, o direito à igualdade como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando se observa a segregação racial e os estereótipos na publicidade brasileira, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante.
Primordialmente, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater à discriminação racial no Brasil. Nesse sentido, é evidente que nas propagandas de tv, posts de marcas e redes sociais que cerca de 75% das peças publicitárias são compostas por pessoas brancas. Diante disso, é possível afirma que não existe equidade de raça, visto que na realidade social, predomina o preconceito e o julgamento. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como à igualdade, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar o padrão de beleza imposto pela sociedade atual como impulsionador da discriminação racial. Segundo a agência Heads, apenas 53% das protagonistas negras não apresentam traços negróides, que são tidos pelo ideal da beleza negra. Diante de tal exposto, não existe a representação real da diversidade racial brasileira nas propagandas publicitárias, tendo em vista o eufemismo racial como forma de suavilizar a beleza que não é vista como perfeita pela sociedade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater todos os obstáculos que impedem a disseminação do direito à igualdade. Para isso, é imprescindível que o governo, por intermédio do Ministério dos Direitos Humanos, promova campanhas publicitárias - conscientização sobre a diversidade racial - a fim de combater a desigualdade social. Assim, se consolidará uma sociedade mais justa, de modo que o Estado desempenhe corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.