A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 11/05/2022

O livro “Quarto de Despejo” da escritora habitante de uma favela, Carolina Maria de Jesus, em seu lançamento, foi intensamente divulgado pela mídia jornalística da época e por outros autores renomados, fato que garantiu um grande alcance da obra mesmo apesar de sua origem simples e estigmatizada socialmente. De maneira análoga, no Brasil, percebe-se a importância da representatividade na publicidade como ferramenta para impedir a perpetuação do viés discriminatório da sociedade, porém , essa funcionalidade, muitas vezes, não é explorada por veículos midiáticos. Sendo assim, a iminência de uma visão critica e conservadora em detrimento de uma garantia disseminadora de grupos vitimas de preconceito por meio da comunicação, demonstram a importância publicitaria à causa.

Em primeiro lugar, o viés discriminatório social está enraizado em práticas preconceituosas tradicionais. Nessa perspectiva, de acordo com o sociólogo Emile Durkheim, os fato sociais, isto ee, conceitos impostos aos indivíduos de maneira critica e geral, impede a ascensão de determinados grupos, através do cancelamento de oportunidades, por serem considerados destoantes aos padrões sociais . Sendo assim, pela reprodução de conhecimentos tradicionais religiosos sobre o casamento homossexual ou por acontecimentos históricos como a escravidão, por exemplo, formou-se o imaginário contemporâneo perante aos considerados inferiores por instituições socializadoras dominantes em cada período da história humana. Por isso, dada a complexidade de reverter conceitos preconceituosos tão consolidados em grande parte da ideologia humana, evidencia-se a relevância da mídia para o combate a causa.

Ademais, pelo caráter disseminatório e influente da mídia na vida em sociedade como um todo, torna-se possível acreditar no fim do conservadorismo ideológico. Sob este viés. segundo a alemão Theodor Adorno, as mídias comunicativas representam uma “indústria cultural” da formação do conhecimento da humanidade. Assim, dado poder dos meios de comunicação, a inserção gradativa dos grupos vitimas de preconceito em publicidades de grande circulação, será responsável pela transformação da visão da sociedade, pois, com uma certa frequência, os fatos sociais frutos do arcaísmo histórico e cultural, acabam por perderem seu sentido perante a renovação ideológica. Por isso, revela-se a importância do uso das mídias como ferramentas do combate a discriminação social.

Portanto, medidas são necessárias para consolidar o uso das mídias comunicativas como forma de representação dos alvos do fato social. Dessa forma, cabe ao Ministério da Comunicação, a garantia mais intensa desses grupos em reportagens, entrevistas e “podcasts” por meio de um horário fixo.