A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 15/08/2022

A constituição brasileira de 1988 assegura que todos são socialmente iguais perante a lei, independente da raça ou do gênero. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que um dos critérios para a constratação de um trabalhador - como na publicidade - leva em consideração a fisionomia do candidato. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão do padrão de beleza europeu difundido no mundo, mas também devido ao racismo entranhado na sociedade brasileira. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura , com o intuito de mitigar os entraves para a consolidação dos direitos constitucionais.

Em primeira análise, vale destacar que devido ao surgimento da internet na década de 60 e ao Neoliberalismo proposto por Collor na década de 80, a cultura e os padroes de beleza foram massificados pelo processo da globalização. Hodiernamente, portanto, as empresas e indústrias buscam por modelos que estejam caracterizados nesse padrão de beleza, gerando uma competição de trabalho desleal com a gigantesca parcela da população que não se enquandra nesse fenótipo. Evidencia-se, portanto, que o marketing e a publicidade não segue o princípio da isonomia garntido pela Magna Carta.

Ademais, vale ressaltar que o Brasil foi a última nação ocidental a conceder liberdade aos escravos, e mesmo após mais de um século da abolição da escravatura, com a lei áurea de 1888, a população negra permanece, na maioria das vezes, à margem dos espaços de prestígio. Essa relação de exclusão com base na cor da pele está presente nos ambientes de trabalho, nas universidades, e também na publicidade. Desse modo, constata-se que a exclusão racial fere os princípios constitucionais e impede a igualdade entre os cidadões.

Portanto é mister que o estado tome providências para amenizar o quadro atual. Urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, cartilhas conscientizadoras a fim de instigar a população a cobrar medidas de inclusão e representatividade nas empresas; exercendo o importante papel do mercado de boicotar empresas preconceituosas e comprar os produtos de empresas responsáveis na publicidade. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade guiada pelos elementos elencados na Constituição brasileira.