A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 04/10/2022
No livro “Racismo estrutural”, o advogado Silvio Almeida afirma que o preconceito racial se tornou natural ao longo da história. Para ele, o racismo é reflexo de um sistema conjunto que, aproximando estereótipo e divulgação social, segregou grupos diversificados. Fora da literatura, a realidade midiática contemporânea reproduz o preconceito destacado por Silvio, já que, muitas vezes, a comunicação assume um papel conservador em sintonia com parcelas sociais consumidoras de determinado conteúdo. Dessa maneira, deve-se analisar a importância da representatividade na publicidade, bem como os seus entraves.
Em primeira análise, nota-se que é necessário expor, no marketing, a diversidade social. Nesse sentido, visto que grupos historicamente segregados continuam sendo invisibilizados midiaticamente, apresentar essa realidade e mostrar o abismo racial se verifica efetivo na desconstrução de estereótipos. A exemplificar, o jornalismo na Rede Globo fora sempre apresentado por brancos em uma forma de hegemonia. Todavia, quando a apresentadora negra Maju Coutinho se tornou âncora de um dos principais noticiários, diversas discussões mostraram o poder da representatividade. Ademais, as formas de representação buscam minimizar os efeitos de um abismo histórico, de forma que, como sistematizado por Silvio, preconceitos sejam abolidos paulatinamente. Destarte, a mídia deve ter força social.
Contudo, segundo estudo da Heads Propaganda e da ONU Mulheres, as mulheres brancas ocupam 74% dos papéis principais, enquanto as mulheres negras 22%. Efetivamente, os dados reproduzem uma realidade em que participar das propagandas como mulher negra ainda parte da aprovação do contexto social, marcado pelo machismo e pelo racismo. Dessarte, devem-se tomar medidas.
Portanto, por meio de reformas sociais, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos - órgão garantidor dos direitos individuais - deve criar formas de introduzir a diversidade social nas propagandas. Para isso, o Governo, juntamente com conglomerados publicitários, deve formar um sistema de cotas, a fim de que toda diversidade possa ter oportunidade em tal lógica. Assim, será possível abolir, como evidenciado no contexto de Coutinho, o preconceito social.