A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 18/10/2022

A propaganda de aniversário da Arezzo em 2022 gerou polêmica e revolta em parte dos consumidores ao verem uma modelo branca protagonizar a moda africana. Todavia, infelimente, fatos como esse acontecem com frequência nas publicidades, pois elas representam os estereótipos de beleza e de comportamen to impostos pela mídia. Nesse contexto, os padrões publicitários excludentes levam a marginalização de certos grupos sociais , e somente a representatividade pode romper com os preconceitos estabelecidos.

Por um lado, a indústria cultural reforça os padrões midiáticos causando a exclu- são da diversidade. Isso ocorre porque, segundo o filósofo Theodor Adorno, as pro- duções dessa referida indústria obedecem a hierarquia social, em outras palavras, elas são propagadoras dos ideais dominantes, os quais buscam padronizar a visão dos consumidores conforme seus interesses comerciais. Isso se aplica a boa parte das marcas que preferem aderir modelos brancos, magros e héteros em suas propagandas para afirmar uma visão elitizada de beleza, enquanto excluem corpos negros, acima do dito peso ideal, pessoas LGBTQIA+ e deficientes físicos, levando-os, assim, à invisibilidade ou mesmo marginalizando sua existência.

Por outro lado,a representatividade nos comerciais é uma ferramenta fundamen- tal de valorização da pluralidade. A esse respeito, o livro Sociedade e diferença do grupo Pensamento Social, afirma que ‘‘o universalismo não significa imposição da uniformidade, mas sim articulação das diferenças’’, ou seja, a real representação da humanidade é aquela que aborda as diversidades humanas ao invés de ignorá-las. Nessa lógica, a propaganda deve prezar não só os símbolos da comunidade, como também os seus integrantes, na busca de enxergar e reconhecer o outro por suas peculiaridades, isso só é possível mediante a representatividade.

Portanto, é premente que a publicidade no Brasil não seja mais excludente e sim plural para que todos os consumidores tenham visibilidade. Nesse viés, cabe às empresas públicas e privadas, cuja função é criar e apresentar seus produtos á sociedade, promoverem mudanças em suas propagandas a partir da adesão de grupos marginalizados pela mídia, isso será feito por meio de políticas afirmativas de inclusão social, a fim de romper com os estereótipos da indústria cultural.