A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 01/01/2023

“Apesar de vocês amanhã deve ser outro dia” a letra de Chico Buarque cantada desde 1978 em persistências a opressões continua altamente contemporânea quando avaliamos o sistema de publicidade e propaganda do território brasileiro, a sensação que permeia é de uma eterna esperança que o marketing apesar dos homofóbicos, gordofóbicos, racistas e misóginos tenha um outro dia e consiga transmitir uma população realmente representativa.

É indubitável, que a eleição do ex-presidente Bolsonaro mostrou que grande parcela da população não absorve representatividade, sendo um candidato que veemente reforçou falas racistas, homofóbicas e misóginas utilizando-se principalmente dessa prospecção para obter popularidade pela exposição aberta desses diálogos catastróficos. Felizmente, esses eleitores são tão plurais quanto os que ele ironizava, mas como coloca a CEO da marca Versarce “o mercado do marketing nada mais é do que o trabalho com o mundo de fantasias divulgando produtos que não os representa, mas os aproximando do que é idealizado”.

Nessa perspectiva, as marcas podem até tentar furar a bolha ou manter o padrão atual de 25% que foi comemorado pela agência Heads como uma evolução, não obstante o IBGE coloca que os brasileiros representam mais da metade de negros e pardos, o constraste é significativo, outra dificuldade de representação é a tentativa de alguns grupos de boicotarem as marcas, como aconteceu recentemente com a empresa Boticário que utilizou-se dos mais diversos tipos de casais para representar o gesto de presentear no dia dos namorados, a estratégia é arriscada e deixa quase sempre publicitários apreensivos.

Dessa forma, se faz necessária um trabalho de conscientização de pluralidade da população, através de propagandas na TV, rádio e mídias sociais custeadas pelo estado à fim de multiplicar a ideia de país plural. Além disso, é importante a criação de legislação específica que entregue premiações as agências de publicidade inclusive com isenções fiscais caso as mesmas possuam a representatividade brasileira na sua peça, assim não vamos precisar de nenhum outro dia de Chico Buarque para representar a população brasileira.