A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 12/06/2024
Em entrevistas, o cantor Jão diz que se sente muito feliz cantando em grandes festivais e levando sua música para tantos lugares, pois, gostaria de ter tido esse ti-po de inspiração quando era adolescente. Hoje, o músico bissexual lota estádios pelo brasil, mostrando a importância da representatividade na publicidade, en-quanto o ódio destinado a ele demonstra como ela não é bem recebida. Isso se de-ve, principalmente, ao preconceito estrutural e a sua propagação por meio do ódio, gerados pela ineficiência estatal em garantir a liberdade de expressão de todos.
A princípio, deve-se destacar o preconceito estrutural da nação. Sob esse viés, Pierre Bourdieu cria o conceito de habitus como forma de agir e pensar que um in-divíduo adquire de acordo com o meio onde é criado. Tendo isso em vista, o habi-tus brasileiro possui raízes machistas, racistas e homofóbicas desde sua coloni-zação, em 1530. Esse fator cria um cenário de desvalorização, para os artistas que fazem parte dessas minorias, no meio publicitário e a falta de ação do estado para garantir a igualdade contribui para a manutenção do problema.
Além do habitus estruturalmente ruim, a propagação de pensamentos precon-ceituosos por meio de atitudes violentas também é uma barreira. O filósofo supra-citado diz também que a violência simbólica é uma agressão psicológica utilizada para fazer a minoria adotar o habitus dominante. Desse modo, enquanto pessoas LGBTs e demais minorias precisam da representatividade para se sentir bem consi-go mesmos, a maioria preconceituosa da nação os agride psicológicamente tentan-do boicotar sua participação midiática e silênciar sua liberdade de expressão por meio do ódio. Tal silenciamento mostra a incompetência estatal em garantir os di-reitos previstos a todos na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Por isso, visando acabar com o preconceito estrutural e a propagação do ódio, deve-se atuar em dois campos. Em primeiro lugar, o Ministério da Educação, por meio da lei “Inclusão e respeito”, deve implantar palestras nas escolas, desde o en-sino secundário, afim de ensinar sobre o habitus ruim e ajudar a quebrá-lo. Simul-tâneamente, deve garantir o cumprimento das leis vigentes e, se preciso, aumentar a pena sob aqueles que a desobedecem. Desse modo, mais artistas como o Jão poderão levar representação e conforto para as minorias do Brasil.