A importância das unidades básicas de saúde no Brasil

Enviada em 03/05/2022

Gonzaguinha, cantor e compositor carioca, eternizou, na música “É”, um apelo à dignidade do povo brasileiro: “A gente quer é ter muita saúde”. Embora date da década de 80, é possível traçar um paralelo ao Brasil contemporâneo, o qual enfrenta os desafios causados pelo descaso às unidades básicas de saúde, um obstáculo à saúde da população brasileira. Sob essa perspectiva, o debate crítico coloca-se como força motriz capaz de alterar essa problemática - cujas motivações apontam para a negligência estatal e a desigualdade social.

De início, destaca-se que, consoante escreveu Noam Chomsky, em “O Lucro ou as Pessoas”, o neoliberalismo consiste em um conjunto de políticas e processos que permitem a um número pequeno de pessoas controlar a maior parte possível da vida social com o objetivo de maximizar seus benefícios individuais. Sob esse enfoque, evidencia-se a desigualdade social como elemento subsidiário nos problemas de atendimento das unidades de saúde, posto que ao transformar a saúde em lucro, as pessoas mais pobres não possuem atendimentos adequados e dignos. Isso é particularmente grave, haja vista que para adquirir saúde e atendimento de qualidade é necessário poder aquisitivo, excluindo, assim, a população de classe baixa de ter uma vida digna. Dito isso, refrear as desigualdades sociais tornou-se um desafio incontornável.

Vale salientar, outrossim, como a negligência estatal influi no agravamento das péssimas condições das unidades de saúde no Brasil. Com efeito, a falta de políticas públicas destinada aos postos de atendimento básico à saúde forja uma realidade na qual esses locais não possuam a infraestrutura necessária para atender os cidadãos, visto que, sem as verbas necessárias, essas unidades não possuem medicamentos, equipamentos e profissionais qualificados. Tal cenário é inquietante, pois vai de encontro à Constituição de 1988, a qual assegura a garantia ao direito à saúde para todos os brasileiros, independe de suas condições financeiras. Infere-se, portanto, uma grave ameaça aos cidadãos brasileiros enquanto sujeitos de direito.