A importância das unidades básicas de saúde no Brasil
Enviada em 29/10/2022
Segundo o Contrato Social, proposto pelo contratualista John Locke, cabe ao Estado executar ações que garantam bem estar coletivo. Sob essa ótica, o Sistema Único de Saúde (SUS), no Brasil, foi uma medida que trouxe bem estar ao facilitar o acesso à saúde no país. Entretanto, de acordo com o médico brasileiro Drauzio Varella, a saúde não é dever apenas do Estado, mas também dos indivíduos, que podem exercê-la com consultas periódicas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e serão encaminhados aos hospitais em casos graves. Dessa forma, as UBS são um meio de levar a saúde para perto da população e de diminuir a lotação hospitalar.
Primeiramente, é importante citar que até poucos séculos atrás, o acesso à saúde era restrito às camadas mais altas da sociedade, ou seja, era viável apenas para pessoas com melhores situações financeiras. Portanto, os médicos eram extremamente caros e a massa recorria à natureza e à religião em casos de doença, como o autor Noah Gordon retrata no livro “O físico”, no qual narra a jornada de Robert Cole, no século XI, na busca da realização do desejo de se tornar médico e fundar um hospital para levar o acesso gratuito à saúde para toda a população. Fora da ficção, o primeiro hospital gratuito do Brasil foi a Santa Casa de Misericórdia de Santos, fundada por Braz Cubas em 1543, e que funciona até hoje.
Entretanto, foi apenas na Constituição Federal de 1988 que o direito ao acesso à saúde passou a ser garantido a todos cidadãos e oferecido gratuitamente pelos estados, e, em 1990, houve a sanção da lei que implementa o SUS no Brasil. Assim, as Unidades Básicas de Saúde foram criadas para serem portas de entrada para o sistema de saúde implementado. Dessa forma, atuam como atenção primária, encaminhando casos para outros níveis de atenção conforme a necessidade. Portanto, muitos casos são resolvidos pelas próprias UBS, que também oferecem diversos serviços, desafogando os hospitais e desconcentrando o conhecimento médico especializado e levando-o, na medida do possível, para mais perto do povo.
Por fim, é mister a gestão adequada das UBS. Para isso, o Governo Federal, o qual gere o Estado brasileiro, deve aumentar a subvenção para a área da saúde, de modo a custear reformas estruturais nas UBS, contratação de mais médicos e compra de insumos necessários. Desse modo, o sistema permanecerá efetivo.