A importância das unidades básicas de saúde no Brasil
Enviada em 27/10/2023
O conceito “Cidadanias mutiladas”, do geógrafo brasileiro Milton Santos, explicita que a democacia só é efetiva quando tange à totalidade do corpo social. A partir dessa perspectiva, é possível observar que a criação de (UBS) Unidades Básicas de Saúde, surgiram como uma tentativa de democratizar o direito à qualidade de vida, entretanto, essas não são valorizadas. Desse modo, é essencial analisar os principais propulsores desse contexto: a má administração e o desestímulo dos profissionais.
Sob esse viés analítico, é importante destacar, a princípio, que a hostil administração pública é um fator preponderante para a ocorrência da desvalorização das UBS. Esse cenário, entretanto, contraria a ideia de John Locke, no “Contrato Social”, na qual o filósofo afirma que é dever do Estado assegurar os direitos plenos aos cidadãos, inclusive à saúde. Todavia, isso não se configura na prática, uma vez que a má gestão do dinheiro público não assegura que todos tenham acesso a esse direito com qualidade, o que gera as péssimas infraestruturas dos centros de saúde e faltas nos salários aos profissionais. Logo, é notório que a omissão do Estado perpetua o deficitário acesso à cidadania.
Além disso, é válido salientar que o desestímulo dos profissionais potencializa essa conjuntura. Tal premissa, deve-se ao déficit salarial e à falta de recursos materiais, o que gera a baixa adesão dos funcionários. Nessa perspectiva, essa estrutura caracteriza-se desde o Regime Militar de 1964, em que o inchaço urbano trouxe benefícios econômicos, mas sem que a massa trabalhadora os recebesse. Em virtude disso, não há fomento para aderência dos profissionais, similarmente ao que é notado nas UBS. Dessa forma, é imprescindível combater ao desestímulo dos colaboradores, para que haja a correta valorização dos postos de saúde.
Fica evidente, portanto, que mudanças são importantes para a atenuação da conjuntura brasileira. A princípio, cabe ao governo-em sua função de promotor do bem-estar social- em conjunto com o Ministério da Saúde, investir em melhorias nas unidades básicas, por meio da expansão de verba a esse setor. Com esse fim, auxiliará na valorização dos centros de atendimentos, e o ideal de Milton Santos será, de fato, uma realidade no país.