A importância de democratizar o acesso ao ensino superior no Brasil
Enviada em 21/08/2023
Na Europa, em toda sua história antiga, o acesso a educação e informação era capitalizado pelo clero, nobreza e posteriormente, burguesia. Paralelamente, a herança elitista do acesso ao ensino persistiu no Brasil do período colonial até hoje. Em todos os níveis, principalmente o superior, perdura a desigualdade, seja pela manutenção dessa estrutura, seja pela ineficiência de políticas públicas em democratizar o acesso ao ensino superior. Logo, é explícita a necessidade de mudança no cenário de suas causas e consequências.
Em primeiro plano, é válido reconhecer como a raiz elitista e privatizada é capaz de perpetuar a situação. O Brasil Colônia não havia ensino superior e apenas a elite era capaz financeiramente de ir a Europa. Paralelamente, hoje, com o contraste de qualidade entre os ensinos público e privado, a alta sociedade possui mais condições de acesso a universidades. De acordo com dados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, Enade, em 2019, apenas 18% dos alunos de medicina tem renda de até 2900 reais. A partir daí, seria negligente não entender como a raiz aristocrática, persiste e elitiza o sistema de ensino superior.
Em segundo plano, vale salientar que os governos são ineficientes quanto as tentativas de mudar o cenário. Apesar do sistema de cotas existir, ele não garante a proporção entre minoria e elite. Ainda que 48 % dos alunos hoje sejam pretos, pardos e indígenas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, não há garantia que a proporção seja válida em todos os cursos, o que é observado pelos dados do Enade em que 67% dos alunos de medicina se identificam como brancos, o que remete a necessidade de intervenção.
Infere-se, portanto, que a democratização do ensino superior no país carece de medidas. Assim, é importante que o sistema público de educação seja remodelado pelo Ministério da Educação a fim de capacitar os alunos qualitativamente tanto quanto o sistema privado. Além disso, o Governo Federal deve dispor de investimentos para a construção de pré-vestibulares públicos e universidades populares voltadas as parcelas da população que carecem de assistência. Dessa forma, a longo prazo, será possível que o país democratize o acesso ao ensino superior e extinga o caráter elitista e tecnicista enraizado.