A importância de democratizar o acesso ao ensino superior no Brasil

Enviada em 05/10/2023

O filme “Que horas ela volta?” retrata a história da filha de uma empregada doméstica, de uma família de classe média alta, que veio do Nordeste prestar vestibular em São Paulo. A vida dessa jovem, de origem pobre e com acesso à uma educação precária, contrastava com a do filho da família, que teve acesso às melhores escolas e à uma boa qualidade de vida. Embora a história se passe em um filme, esse contraste de situações ocorre no Brasil, principalmente devido a desigualdade social, que é um obstáculo no ingresso de jovens em universidades públicas devido a dificuldades financeiras e sociais.

Primeiramente, é preciso ressaltar o cenário étnico-racial dentro das universidades públicas brasileiras, que formam futuros profissionais atuantes na sociedade. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em 1999, apenas 15% dos universitários eram pretos, pardos ou indígenas, contrastando com 2019, ano em que esse número subiu para 46%, graças à política de cotas, indicando sua relevância. Assim, é evidente que esses números levaram muito anos para serem elevados mesmo com políticas públicas, que deveriam ter uma eficácia maior e consequentemente atingir mais jovens.

Ademais, outro fator crucial na democratização do acesso ao ensino superior no Brasil é a possibilidade de permanência estudantil no local de estudo, já que jovens de baixa renda encontram dificuldades em se manter. Embora universidades como a Universidade de São Paulo tenham programas de auxílio, como o Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAFPE), a evasão de alunos é de 17%, de acordo com o Jornal da USP, sendo esse número composto em sua maioria por jovens negros de baixa renda. Com esses dados, fica claro que a desigualdade financeira entre os estudantes existe, e que mais ações e auxílios são necessários.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar esse problema. Visando democratizar o acesso de estudantes ao ensino superior, as reitorias das universidades públicas devem ampliar a política de cotas étnico-raciais e fornecer mais verba para programas de permanência estudantis, o que vai aumentar a adesão dos estudantes ao seu curso. Assim, novos estudantes terão acesso e meio de permanecerem nesses espaços tão importântes para a sociedade.