A importância de democratizar o acesso ao ensino superior no Brasil
Enviada em 11/10/2023
Uma postura alienada perante as adversidades existentes. É isso o que se vê nos personagens do filme “Wall-E”, do diretor Andrew Stanton. Contudo, essa ausência de senso crítico não se limita a uma obra distópica, já que, na realidade, alguns segmentos políticos e sociais não têm compreendido, efetivamente, a gravidade, por exemplo, da falta de democratização do acesso ao ensino superior no país. Por esse viés, é imprescindível analisar essa questão no Brasil.
Em primeiro lugar, observa-se que o Poder Público mostra-se negligente ao permitir a não popularização do acesso às instituições de ensino superior. Isso porque existe uma deficiência no processo de conscientização, uma vez que falta informar à população sobre a relevância da política de cotas para a inclusão de grupos sociais minoritários em cursos superiores, o que tem permitido discursos intolerantes e, por consequência, a violação do direito à integridade moral dos beneficiados. Sendo assim, verifica-se que o governo não tem assegurado o bem-estar de todos os cidadãos, demonstrando, dessa forma, a ruptura do contrato social teorizado pelo filósofo John Locke.
Ademais, enfatiza-se a ausência de engajamento coletivo para se alcançar, realmente, uma sociedade sem a não democratização do ingresso nas universidades brasileiras. Como prova, percebe-se a inércia de parte dos indivíduos em não lutar por investimento financeiro estatal, posto que faltam verbas para ampliar a quantidade de vagas nas creches municipais, o que compromete a entrada de mães no ambiente acadêmico e, por conseguinte, a consolidação do direito à educação destas. Ao recorrer às reflexões do sociólogo Zygmunt Bauman para explicar esse fenômeno, constata-se que, em virtude da cultura do individualismo que se intensificou após a Segunda Guerra Mundial, as pessoas passaram a negligenciar os problemas comunitários.
Convém, portanto, ressaltar que a falta de democratização da entrada no ensino superior deve ser superada. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização social, priorizando projetos educativos com especialistas da área, com o objetivo de mostrar à comunidade a essencialidade de se garantir o acesso de todos às oportunidades e políticas públicas, sobretudo no tocante à educação universitária. Além disso, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGs, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada diante dessa problemática, o que potencializa, assim, a mobilização coletiva em prol de verbas, a partir do ministério competente, para a construção de novas creches gratuitas, com o intuito de auxiliar aquelas mães que necessitam.