A importância de democratizar o acesso ao ensino superior no Brasil

Enviada em 12/07/2024

O conceito de “Cidadanias Mutiladas” - apontado pelo geógrafo brasileiro Milton Santos - propõe que a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade da população. A partir dessa perspectiva, é possível analisar que a realidade contemporânea se opõe a esse ideal democrático, uma vez que, no Brasil, observa-se que os obstáculos relacionados à democratização do acesso à universidade ainda se perpetuam. Desse modo, é essencial perceber os principais propulsores desse cenário hostil: a negligência governamental e a desigualdade social.

Em primeira análise, faz-se necessário postular a ausência de medidas estatais para combater essa circunstância. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da coletividade. Entretanto, essa não é a máxima brasileira, devido à falta de atuação das autoridades, que afastam esses indivíduos de direitos constitucionalmente garantidos, como acesso ampliado à educação em um nível superior de uma parcela significativa das pessoas, o que causa a sensação de que a faculdade é inalcançável, sendo exclusiva as elites da sociedade. Assim, faz-se mister a reformulação dessa postura da máquina pública de forma urgente.

Além disso, é essencial citar o contraste social como um dos principais promotores da desigualdade no Brasil. Sob a ótica do sociólogo brasileiro Betinho, o desenvolvimento humano só será efetivado quando a sociedade civil seguir alguns princípios, como a participação de uma parcela maior da população no ensino superior. No entanto, conforme os cidadãos não têm vivência nas universidades, retira-se um dos principais componentes para o progresso da sociedade e, assim, sua dignidade e importância como ser humano também são subjugadas, resultando em manutenção dos grupos privilegiados na ascensão intelectual. Logo, percebe-se como esse problema viabiliza cada vez mais a vulnerabilidade.