A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 31/08/2019
Promulgada em 1988, a Constituição Federal garante a todos os indivíduos o acesso à alimentação equilibrada e ao emprego ordenado dos recursos nutritivos. Entretanto, nota-se que, na prática, o desperdício de alimentos no Brasil impede o aproveitamento desses direitos pelos grupos mais vulneráveis e contribui para a presença de prejuízos ao meio social nacional. Assim, cabe a análise acerca da importância de resolver essa problemática e dos desafios relacionados a ela, com destaque ao desprezo da população pela conservação de produtos nutritivos e à negligência governamental.
A priori, é válido reconhecer a indiferença da sociedade perante a utilização consciente dos alimentos como um dos principais entraves do impasse. Segundo o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, as habilidades comportamentais dos indivíduos hodiernos são fortemente orientadas pelo fenômeno consumista. Nesse contexto, o consumo desenfreado de recursos nutritivos leva os brasileiros a descartar comidas em bom estado constantemente, já que a falta de percepção da população acerca da disponibilidade limitada de matéria-prima propicia a desinformação sobre o uso desses produtos. Dessa forma, torna-se fundamental reduzir a influência das tendências observadas por Bauman como forma de possibilitar a conscientização do povo sobre o desperdício no país.
Além disso, a imobilidade estatal quanto à presença do descarte de comidas em diversos âmbitos também pode ser apontada como obstáculo na resolução da problemática. De acordo com a filósofa alemã Hannah Arendt, a ocorrência de prejuízos ao tecido social só ocorre quando há espaço institucional para tal cenário. Nessa perspectiva, a falta de ações efetivas do Poder Público para coibir a perda de produtos nutritivos, tanto na sociedade quanto no processo de produção e transporte dessas mercadorias, dá margem à continuação de irregularidades no meio alimentício e contribui para a depreciação da dieta dos grupos sociais dependentes do auxílio do Estado. Desse modo, nota-se o caráter prejudicial assumido por esse agente na persistência do desaproveitamento de comidas na realidade nacional.
Fica evidente, portanto, que são necessárias medidas para possibilitar a superação do desperdício de alimentos no Brasil. Logo, é mister que o meio midiático e a sociedade civil promovam a desconstrução do comportamento consumista, mediante campanhas publicitárias que objetivem a conscientização da população sobre o estoque limitado das comidas e de suas matérias-primas. Outrossim, o Poder Público, como instituição protetora do acesso à alimentação equilibrada, deve atuar para coibir a perda de recursos nutritivos nos seus processos de produção e distribuição, por meio de programas governamentais que visem à fiscalização das atividades de empresas alimentícias.