A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 17/09/2019
Na obra “O Bicho”, Manuel Bandeira retrata uma situação muito atual que se pode encontrar em qualquer cidade: um ser humano, na extrema miséria e pobreza, sentindo fome e buscando no lixo alimentação, sem se importar com o que está comendo - como um bicho. Consonante a essa perspectiva, vê-se, sobretudo no hodierno Brasil, o desperdício de alimento ligado não somente ao poema, mas também à realidade do país. Isso decorre, ora pela cultura de abundância conectada ao status social, ora pela falta de atenção do Estado à questão.
É imperioso, em primeiro lugar, analisar a cultura da fartura como impulsionadora do desperdício de alimento no Brasil. Isso porque compras grandes demais e porções exageradas contribuem, segundo uma pesquisa realizada pela Embrapa com apoio da FGV (Fundação Getúlio Vargas), para que cada brasileiro jogue mais de 40 quilos de alimento no lixo todos os anos. Lamentavelmente, o gosto pela fartura persiste e, hoje, é comum, além de ser associada à hospitalidade e ao cuidado com a família, a abundância está conectada ao status social, aponta o estudo, haja vista que o Brasil é um país muito desigual e a comida sinaliza riqueza. Consequentemente, esse horizonte hipercapitalista de vida, não apenas pesa financeiramente, como também prejudica o meio ambiente, pois os recursos utilizados na agricultura para a produção de alimento, como a água, acabam sendo em vão.
Somada à cultura de abundância, faz-se mister salientar a inexistência de leis que propõem a criação de uma política nacional de combate ao desperdício de alimento. Nesse viés, congluente ao utilitarísmo quantitativo de Jeremy Bontham, filósofo iluminista, o movimento ético possui caráter pluralista, ou seja, é legítimo quando há ações que beneficiam a maior parte dos indivíduos. Nessa conjuntura, em função da crise política pela qual o Brasil está passando na atualidade, é possível contextualizar a insuficiência legislativa do Estado, uma vez que o caráter individualista das figuras políticas demonstram um grande desleixo no que concerne à promulgação de leis anti-desperdício, consolidando uma marca, para o autor, antiética e irresponsável perante as possibilidades constitucionais passíveis.
Torna-se evidente, portanto, que o desperdício de alimento decorre da cultura de abundância e da falta de atenção do Estado à questão. Em razão disso, pressionado por ONGs como a “Banco de Alimento”, consolide uma reforma política no que tange ao problema. Essas ONGs devem enviar, por meio do “site” Petição Pública, reivindicações a Rede de Ouvidoria Pública que exijam a criação de um projeto de nome “Desperdício Zero” que promova a realização de palestras com especialistas nas redes públicas - como escolas e universidades - em prol de ensinar sobre a importância da sustentabilidade. Assim, restringir-se-ão os empecilhos existentes hoje em relação ao desperdício a realidade do poema.