A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 26/10/2019
Antes de tudo, é preciso esclarecer que o desperdício de alimentos no Brasil ocorre, mormente, na manipulação pós-colheita do alimento e, também, no transporte e armazenamento destes. É evidente, portanto, que o foco do combate à perda alimentícia - tão necessário em um país ainda assolado pela miséria e pela fome - deve estar nessas ações.
Em uma primeira análise, é fundamental destacar que, apesar de amíude ocultada na mídia e na sociedade, a fome ainda faz-se presente no Brasil: segundo um levantamento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, em 2017, 2,5% da população brasileira passou fome, o que corresponde a mais de 5 milhões de pessoas. Esse ocultamento da miséria se dá porque essa parcela mais carente da população está marginalizada pela sociedade e pelos governantes. Ademais, esse comportamento discriminatório é consonante com a ideia de A. Schopenhauer de que o limite do campo de visão dos indivíduos é projetado como limite do mundo. Dessa forma, por constituir a maioria, os bem abastecidos de alimentos, comumente, não se preocupam com os pouco mais de cinco milhões de miseráveis.
Entretanto, havendo o anseio de, se não extinguir, ao menos melhorar a eficiência na alimentação nacional, importante se faz o aprimoramento nos meios de deslocamento dos gêneros alimentícios e nas técnicas de armazenamento destes. Contudo, é válido ressaltar que, diferentemente dos produtos beneficiados, os que não passam pela indústria se estragam mais facilmente, devido à ausência de aditivos alimentares, como os conservantes. A partir dessa análise, pode-se inferir que as universidades brasileiras podem contribuir com a economia e, para o enfrentamento da problemática do desperdício, desenvolvendo pesquisas que visem uma melhor armazenagem desses produtos.
Diante do exposto, faz-se mister o empenho do governo federal em estimular as pesquisas, em universidades, que objetivem o desenvolvimento de procedimentos mais eficientes, através de produtos químicos, por exemplo, para impedir que alimentos tenham como destino final o lixo. Esse estímulo deve ser feito mediante liberação de recursos financeiros, pelo Poder Executivo em âmbito federal, condicionada a pesquisas com essa finalidade, às instituições de ensino superior.