A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 27/10/2019

Parte pelo todo

Ao narrar um extenso e complexo processo produtivo de alimentos, o documentário “Ilha das flores” retrata dois grandes problemas enfrentados pelo Brasil: o desconhecimento do consumidor acerca da origem dos alimentos, bem como o desperdício gerado por um processo logístico desintegrado. Como consequência disso, o país apresenta uma taxa de insegurança alimentar que, apesar de ser pauta constitucional, é ascendente no Brasil.

Em análise primária, é preciso elucidar as consequências do distanciamento entre o consumidor e a origem de seu alimento. A filosofia socrática, por exemplo, nos ensina que quanto mais informações um indivíduo tem sobre uma dinâmica processual, maior é o seu envolvimento com esta. Sendo assim, ao distanciar-se da produção alimentar, o indivíduo pode contribuir para o desperdício de alimentos por não se enxergar como parte do processo.

Outrossim, há de se notar o exorbitante desperdício de alimentos ao longo do processo logístico de distribuição, que é desintegrado. A ausência de comunicação eficaz e a falta de elaboração conjunta das diferentes partes deste processo contribuem para que 40 mil toneladas de alimento sejam descartadas diariamente. Dessa forma, o Brasil, apesar de prever constitucionalmente o combate à fome, não o faz quando trata-se da logística de mercado.

Portanto, os Ministérios da Agricultura e Economia devem, em parceria, integrar as partes envolvidas no processo de distribuição para mitigar o desperdício. Por meio de reuniões anuais organizadas pelos ministérios, os produtores, distribuidores e vendedores poderão compartilhar informações processuais que atingem a toda cadeia produtiva. Afinal, a troca de informações de etapas adjacentes é essencial para o fluxo eficaz e sustentável de todo o processo.