A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil
Enviada em 30/10/2019
Segundo a plataforma virtual “banco de alimentos”, apenas 1,7% da população brasileira, em 2016, sofreu com a fome. Entretanto, essa é uma problemática social que merece atenção e, para combatê-la, é necessário uma reestruturação sociocultural da sociedade. Além disso, é preciso também combater as perdas durante a comercialização e o transporte dos alimentos.
A princípio, observa-se que existe, no Brasil, uma cultura de desperdício de alimentos, principalmente, na população mais abastada. Um exemplo dessa prática negativa foi o emblemático episódio patrocinado por Thor Batista, filho do empresário Eike Batista, que, em meio a uma crise de aumento do preço do tomate, comprou uma enorme quantidade desse produto e convidou a elite para uma festa de desperdício desse alimento. Logo, urge que haja uma reeducação cultural da sociedade, com o objetivo de evitar a propagação dessa espécie de prática alimentar. Sendo assim, a população poderá assumir uma postura mais consciente em face dessa questão.
Outrossim, conforme leciona o jurista Carlos Ayres Britto, em sua obra “O humanismo como categoria constitucional”, a alimentação é um direito social de todos e um dever do Estado. Contudo, existe uma cultura do desperdício atrelada às práticas mercadológicas. Isso porque, a preocupação com os padrões estéticos conduz à rejeição de toneladas de alimentos por dia. Nesse cenário, é preciso que haja uma intervenção estatal, com o objetivo de proibir esse desperdício. Desse modo, o Governo Federal deve criar e impor ao mercado uma estratégia de aproveitamento desses alimentos, idônea a alterar esse quadro generalizado de negligência e individualismo.
Assim, cabe à mídia jornalística conscientizar a sociedade, por meio de campanhas socioeducativas, aptas a informar sobre os valores de uma cultura de segurança alimentícia, a fim de evitar o fato social do desperdício. Ademais, compete ao Congresso Nacional editar uma Lei Federal, para determinar que os supermercados disponibilizem, em local adequado, os alimentos fora de padrão estético à população menos abastada, de forma gratuita. Então, o Estado poderá cumprir o seu objetivo constitucional, narrado por Ayres Britto.