A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 09/05/2020

O chef paulista Edson Leitte, criador do projeto “Gastronomia Periférica”, desenvolve, em comunidades na cidade de São Paulo, cursos em que instrui moradores a aproveitarem o máximo possível dos produtos alimentícios, evitando o desperdício e empoderando famílias a se alimentarem melhor com menos gastos. Esse trabalho mostra o grande potencial de transformação social no Brasil pela redução do desperdício de alimentos. Infelizmente, os problemas na logística de distribuição desses insumos e a mentalidade dos consumidores ainda são entraves para o fim desse problema.

Primeiramente, cabe considerar as dificuldades no transporte alimentar e seu impacto no desperdício. Segundo a associação Prato Cheio, organização sem fins lucrativos que luta pelo consumo consciente de alimentos, 50% do desperdício desse setor, no Brasil, ocorre durante o processo de transporte. Isso se deve, dentre outros fatores, à grande dependência da logística brasileira do setor rodoviário, modal de transporte de difícil manutenção em grandes extensões, e cujos problemas podem causar desde o derrame de cargas ao vencimento dessas com os atrasos. Assim, é preciso investir na infraestrutura do transporte brasileiro para amenizar essas perdas.

Ademais, é preciso considerar que os padrões de consumo da população também influem no desperdício. Não faz parte da cultura familiar de grande parte da população a reutilização de sobras ou o aproveitamento de todas as partes de frutas e vegetais para o consumo, o que leva ao descarte de produtos os quais poderiam ser usados de modo a reduzir tanto os desperdícios quanto os gastos familiares com alimentos. Nesse sentido, o trabalho de profissionais como o chef Edson Leitte tem mostrado que essa cultura pode ser alterada. No entanto, para esse fim, é preciso agir com um forte trabalho de reeducação, que deve contar com o apoio de autoridades, bem como o de profissionais de gastronomia.

Faz-se necessário, portanto, agir para alterar a realidade do desperdício no Brasil. Para tal, o Ministério da Infraestrutura deve investir na logística de transportes no território brasileiro por meio da criação de alternativas para o escoamento de alimentos mais previsíveis e de mais fácil manutenção, como sistemas ferroviários, além de estimular a intermodalidade desse com a malha rodoviária existente, o que permitirá um transporte mais rápido e planificável. Soma-se a isto a necessidade da Secretaria de Comunicação aliar-se a profissionais da gastronomia para de criar campanhas de conscientização contra o desperdício para a população sobre formas de aproveitar melhor alimentos e sobras, por meio de cursos online gratuitos. Assim, as famílias poderão ser, de fato, empoderadas para trasnformar sua realidade por meio da alimentação.