A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 12/06/2020

Segundo a Lei da Inércia, de Newton, a tendência de um corpo é permanecer parado quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da física, é possível perceber a mesma condição no que concerne ao problema do crescente desperdício de alimentos no Brasil, que segue sem uma intervenção que o resolva. Desse modo, a problemática ancora suas principais causas na omissão governamental, como também na falta de conscientização das famílias.

A priori, é essencial pontuar que negligência governamental caracteriza-se como um complexo dificultador. Segundo o contrato social, proposto por John Locke, cabe ao Estado fornecer medidas que garantam o bem-estar coletivo. Todavia, vê-se que esse contrato está rompido no cenário nacional, uma vez que o governo não promove políticas públicas que visem diminuir o desperdício de alimentos, além de não proporcionar fiscalizações em grandes restaurantes com o intuito de atenuar essa prática nesses lugares. Por conseguinte, a omissão estatal contribui para a perpetuação da problemática no país, essa que resulta em prejuízos econômicos.

Outrossim, é imperativo postular a falta de conscientização das famílias como um grave empecilho à consolidação de uma solução. Sob esse viés, O filósofo Zygmunt Bauman cunhou o termo “modernidade líquida”, na qual a falta de alteridade e as relações frágeis configuram-se como principais identidades, para descrever a sociedade hodierna. Assim, é notório que o conceito exposto por Bauman é inerente à problemática, já que há uma despreocupação das famílias em relação ao desperdício de alimentos, esses que poderiam ser doado para comunidades carentes, visto que segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura existem 5,2 milhões de pessoas no Brasil que passam fome.

Assim, faz-se necessário que medidas sejam tomadas para mitigar o desperdício de alimentos no Brasil. Portanto, o Ministério da Agricultura e o Ministério da Cidadania devem, juntos, por meio da colaboração entre estados e municípios, ampliar a rede de políticas públicas contra o desperdício de alimentos, além de promover uma maior fiscalização nos restaurantes e supermercados, com o intuito de atenuar esse ato. Por fim, o Ministério da Educação e a mídia devem, juntos, por meio de propagandas elucidativas nos meios de comunicação, conscientizar as famílias sobre esta ação e induzi-las a doar os alimentos não utilizados, com o intuito de diminuir o desperdício no país.