A importância de extinguir o desperdício de alimentos no Brasil

Enviada em 14/07/2020

Em 2017, em decorrência da acentuação do desemprego e da extrema pobreza, o Brasil voltou a fazer parte do “Mapa da Fome” da Organização das Nações Unidas. No entanto, enquanto milhares de brasileiros não têm do que se alimentar, toneladas de alimentos são diariamente destinadas ao lixo. Logo, faz-se fulcral entender como a desigualdade social e a má distribuição dos recursos cooperam para a persistência dessa conjuntura.

Em primeira análise, percebe-se como causa latente do problema a desigualdade social. Nesse contexto, é pertinente trazer um trecho da música “Súplica Cearense”, do grupo “O Rappa”: “Ganância demais. Chuva não tem mais. Roubo demais. Política demais. Tristeza demais. Fome demais”. A obra faz uma crítica à instabilidade política, à má administração dos recursos públicos e à injusta distribuição de renda no país. Ademais, como consequência da postura estatal evidenciada na canção, aproximadamente 10 milhões de brasileiros vivem em extrema pobreza, impossibilitados de comprar alimentos, segundo dados da ONU. Desse modo, faz-se mister um amplo processo de redistribuição da riqueza nacional, com ação firme e planejada do Estado.

Outrossim, é imperativo ressaltar que enquanto muitas pessoas passam fome, há considerável desperdício de alimentos no Brasil. Tal questão é explicitada na série brasileira “3%”, que retrata um futuro pós-apocalíptico, no qual apenas 3% da população mundial vive em uma região onde tudo é abundante e as oportunidades de vida são extensas. Além do mais, de acordo com a Constituição Federal de 1988, todo homem tem direito ao acesso permanente à água e à alimentação adequadas, em quantidade e qualidade suficientes, que lhe permitam uma vida saudável. Apesar disso, o país ainda luta para superar deficiências graves nesta área, em especial no que se refere ao histórico problema da fome.

Em suma, medidas são fundamentais para resolver o impasse. Portanto, o Governo Federal deve apoiar ONGs que propõem o reaproveitamento de alimentos, como a Gastromotiva, com a disponibilização de subsídios para a manutenção desses projetos, como a construção de cozinhas e de restaurantes comunitários para que se evite desperdícios de alimentos e se ofereça comida àqueles que estão em condição vulnerável. Além disso, o Ministério da Educação deve garantir que todas as escolas da rede pública de ensino ofereçam merenda escolar, sendo que pelo menos 30% dos produtos devem ser oriundos da agricultura familiar, assim, além de responder ao lado do consumo saudável essas políticas também incentivam a produção agrícola sustentável. Assim, o Brasil deixará de figurar no “Mapa da Fome” e assegurará mais qualidade de vida para sua população.